O estacionamento sempre foi, e continua a ser um problema fulcral das cidades, situação que tem mobilizado as empresas a encontrar soluções que permitam às pessoas livrarem-se dos congestionamentos gerados pela procura de um lugar.

Embora seja uma temática rapidamente associada às smart cities, já existem soluções que estão a ser implementadas nos parques de estacionamento convencionais, desde os espaços públicos, às grandes superfícies comerciais. No Portugal Smart Cities Summit estavam presentes empresas como a iParque e o Parkio, com tecnologias que pretendem resolver os problemas atuais de estacionamento.

No caso da Parkio, a sua aplicação pode ser associada a qualquer empresa que já ofereça espaços para estacionamento. Não está nos planos da empresa criar áreas para estacionar, mas sim formalizar parcerias com empresas, concessionários ou municípios para integrar a sua solução.

A empresa, que nasceu na Áustria, passou por uma incubadora na Irlanda onde esteve em desenvolvimento, até finalmente a sua sede ser instalada em Lisboa, desde setembro de 2017, motivada pelo prémio obtido no Lisbon Challenge.

 

“A Parkio é uma app para smartphones que permite ligar os condutores, em tempo real às disponibilidades de estacionamento à sua volta”, explicou Paulo Garrido, diretor de vendas da Parkio ao SAPO TEK, sendo o principal objetivo da aplicação evitar o desperdício de tempo. “Cada pessoa gasta em média 20 minutos à procura de um estacionamento, criando constrangimentos e eventuais acidentes. Cerca de 30% dos acidentes que ocorrem na cidade são causados por pessoas que estão à procura de estacionamento”, aponta o representante da Parkio em relação a algumas estatísticas ligadas ao tema.

O problema do congestionamento dos parques e a procura de lugar para estacionar aumenta também os níveis de poluição na cidade, que podem ser evitadas graças aos sistemas inteligentes de estacionamento.

A ideia geral do Parkio é um conceito próximo do AirBnB. Os clientes podem carregar dinheiro na App e descontar períodos, normalmente de uma hora, no seu saldo. “Funciona como uma espécie de Uber para os estacionamentos”, explicou Paulo Garrido, “muitas vezes existem lugares para estacionar fora do alcance visual das pessoas quando estão à procura de lugar que não conseguem identificar”. A app faz a união entre os lugares disponíveis no parque, sejam ou não visíveis ao condutor que necessita estacionar, de uma forma mais rápida.

Uma das características da aplicação é possibilidade dos condutores poderem reservar um espaço com antecedência ou prolongar uma sessão de estacionamento. Caso os clientes tenham uma ligação Wi-Fi podem interagir com as portadas dos estacionamentos, abrindo-os automaticamente. A Parkio pretende oferecer descontos aos seus clientes, sobretudo para empresas com frotas de veículos.

As empresas que desejarem oferecer este serviço vão integrar no seu próprio software o sistema da Parkio, de forma gratuita, e sem a necessidade de aplicar qualquer dispositivo ou adaptar fisicamente os parques de estacionamento – como é o caso da Via Verde. “Muitas vezes as empresas não têm ferramentas de gestão dos parques e nós oferecemo-las, para que aumentem as suas taxas de ocupação e obtenham um aumento de retorno”, explicou Paulo Garrido.

Para utilizar o Parkio deverá fazer o download da aplicação, em versões Android e iOS, criar uma conta e adicionar dinheiro ou associar um cartão de crédito à plataforma. Um sistema que deverá ser familiar aos utilizadores da Uber, por exemplo. À medida que vai utilizando o estacionamento, os valores serão debitados da conta.

Chama-se Viriato e promete tornar Viseu a primeira cidade portuguesa com veículos autónomos
Chama-se Viriato e promete tornar Viseu a primeira cidade portuguesa com veículos autónomos
Ver artigo

A empresa afirma que neste momento conta com cerca de 11 mil lugares disponíveis no seu serviço, maioritariamente em Lisboa, mas também no Porto, Guimarães e Braga. Este mês vão ser integrados mais 26 mil lugares de estacionamento. Questionada sobre se pretende explorar os espaços na rua, a empresa refere que é um processo mais complicado e moroso, porque implica negociar com entidades públicas, como a EMEL ou municípios, e cumprir com trâmites legais.

“Os municípios podem obter poupanças significantes ao nível operacional com a nossa solução, como a diminuição das emissões de bilhetes, reduzindo o custo no papel. As avarias também são superadas quando utilizam a nossa aplicação. A utilização das moedas nos parquímetros também é eliminada.”

Para que sistemas de parqueamentos inteligentes sejam adotados de forma massificada pelos municípios é necessário quebrar algumas barreiras burocráticas. Depois será lançado um concurso às empresas com este tipo de serviços para uma escolha de um parceiro. A Parkio não pretende operar em regime de exclusividade, apenas pede para estar presente como opção nas plataformas de estacionamento, referindo que no final do dia tem os argumentos necessários para depois convencer os clientes a utilizar o seu serviço.

Outra ideia da Parkio é disponibilizar o serviço às empresas de rent-a-car, para facilitar a visita dos turistas, por exemplo, que podem utilizar o sistema de navegação implementado na aplicação para serem conduzidos aos lugares disponíveis. “A empresa já tem algumas parcerias importantes com promotores de espetáculos, por exemplo, que garante aos seus clientes quando compram os bilhetes, um lugar para estacionar”, explica-nos Paulo Garrido o potencial do Parkio.