Chamam-se Infantes e são robôs desenvolvidos por dois jovens algarvios. Mário Saleiro e Bruna Carmo são especialistas na área da engenharia e educação, respetivamente, e decidiram juntar esforços para criar um projeto made in Portugal, uma alternativa aos sistemas de robótica dedicados ao ensino.

Os Infantes apareceram como uma forma de dar resposta aos pontos negativos da robótica educativa atual: é cara, sendo que um simples robô pode chegar a custar 300 euros, exige conhecimentos prévios de robótica e por norma só existe um robô por cada 25 crianças.

O desenvolvimento dos Infantes foi feito com recurso a partes reaproveitadas de impressoras e de outros equipamentos de eletrónica, sendo que o custo unitário ronda os 10 euros. Os dois empreendedores têm mostrado os robôs em algumas escolas e também têm participado em conferências. Em qualquer um dos ambientes os Infantes têm sido muito bem recebidos.

Mário Saleiro revelou em conversa com o TeK que durante a International Conference on Social Robotics, que decorreu no final de outubro em Inglaterra, houve até um responsável da Lego que mostrou interesse em saber como é que o projeto funciona.

Os benefícios da aplicação da robótica nas salas de aulas parecem claros para Bruna Carmo. O contacto e a forma como são lecionados conteúdos com os robôs ajudam os alunos a desenvolver o raciocínio, a comunicação, a criatividade e até a concentração. Além do que, os robôs "geram uma motivação que os quadros a giz não conseguem", revelou a mestre em ensino básico de 1º e 2º ciclo.

"Os robôs são uma continuação dos equipamentos que os mais novos têm em casa como os computadores, telemóveis e consolas", explicou Bruna Carmo ao TeK.

Os Infantes podem ser aplicados a qualquer área do ensino, desde que bem planeados pelos professores. Numa experiência numa escola de Faro, foram ensinadas aos alunos as principais serras de Portugal através de um percurso que devia ser percorrido com os robôs.

Sem haver necessidade de saber mexer num software, os Infantes são controlados através de uma plataforma Web onde são definidos os comandos que os robôs vão executar.

Sobre o futuro deste projeto de robótica educativa é que Mário Saleiro ainda não tem uma certeza. A aprovação de programas de robótica segundo as normas europeias é algo que fica caro e que obrigar a ponderar com atenção o futuro do projeto.

"Ou lançamos um produto português para o mercado, ou ficamos à espera que outra empresa mostre vontade numa colaboração, ou tornamos o projeto open source", foram os três cenários identificados pelo responsável do projeto.

Rui da Rocha Ferreira


Escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

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