Um pedaço à deriva de um Falcon 9, da SpaceX, vai atingir a superfície lunar no início do próximo mês de março, naquela que será a primeira vez que lixo espacial causado pelo homem atinge involuntariamente o satélite natural da Terra.

Trata-se de um módulo de um foguetão usado pela empresa de Elon Musk em 2015 para lançar o Deep Space Climate Observatory, ou DSCOVR. A missão foi bem-sucedida, mas o módulo superior do foguetão ficou sem energia suficiente para escapar da gravidade Terra-Lua, num ponto em órbita do Sol longe de possíveis observações terrestres.

No início de 2022 foi, no entanto, encontrado pelas câmaras de um observatório, momentos antes de uma aproximação à Lua, a 5 de janeiro. De início, pensou-se que seria um asteroide, mas com novas observações realizadas nas noites seguintes, concluiu-se que era a segunda secção do Falcon 9, identificada como NORAD 40391.

O Ariane 5, que recentemente entregou o supertelescópio espacial James Webb ao seu ponto de observação, voou numa trajetória idêntica à do Falcon 9, mas a boa notícia é que a sua secção superior já escapou de destino semelhante, graças a uma manobra especificamente desenvolvida e qualificada para o efeito, garante a ESA.

Destroço de um Falcon 9 da SpaceX vai colidir com a Lua no início de março
Destroço de um Falcon 9 da SpaceX vai colidir com a Lua no início de março
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Por vezes as naves espaciais são intencionalmente lançadas contra a Lua, no final de missões, por exemplo, mas esta será a primeira vez que lixo espacial desta dimensão colide com o satélite natural da Terra, nota a Agência Espacial Europeia (ESA).

O impacto lunar intencional de objetos começou na década de 1950, incluindo as secções superiores da Apollo, usadas ​​para induzir “moonquakes” para sismómetros de superfície. Em 2009, a NASA culminou a sua missão LCROSS “contra” na Lua e o mesmo aconteceu com a espaçonave LADEE, no lado lunar oculto, em 2013.

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Não existem atualmente diretrizes claras para regular a eliminação de espaçonaves ou módulos superiores enviados para pontos de Lagrange. As opções mais comuns têm passado pelas colisões com a Lua ou regresso com a consequente queima na atmosfera terrestre.

O futuro impacto lunar do Falcon 9 ilustra bem a necessidade de adoção de um regime espacial regulatório abrangente, “não apenas para as órbitas economicamente cruciais em redor da Terra, mas também para a Lua”, defende Holger Krag, responsável pelo Programa de Segurança Espacial da ESA.

De referir que todos os lançadores desenvolvidos pela ESA durante a última década - Vega, Ariane 6 e Vega C – incluem uma capacidade de reativação integrada, que garante o retorno seguro à Terra para a queima atmosférica das secções superiores.

Quanto ao impacto do módulo à deriva do Falcon 9 com o lado oculto da Lua, de acordo com os cálculos feitos face à trajetória atual, espera-se que aconteça às 12h25 UTC do próximo dia 4 de março. A forma como o objeto se desloca dificulta uma localização exata, embora seja provável que varie apenas alguns quilómetros.

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