Os efeitos nos humanos do tempo passado no Espaço preocupam a NASA numa altura em que a ambição é chegar a destinos mais longínquos, como Marte, e foi por isso que a agência espacial norte-americana decidiu fazer um estudo com dois astronautas gémeos idênticos.

Scott Kelly passou 340 dias seguidos no Espaço, enquanto o seu irmão Mark Kelly permaneceu em Terra, mas a experiência de monitorização paralela dos dois astronautas decorreu durante mais de dois anos, ou mais precisamente 27 meses, iniciando-se em 2015.

Começou antes do lançamento em direção à Estação Espacial Europeia e prolongou-se depois do regresso, com o objetivo de perceber quais os efeitos permanentes e os “recuperáveis” quando o corpo humano está sujeito ao ambiente inóspito do Espaço.

Algumas conclusões – ou princípio de conclusões – foram reveladas antecipadamente, como as que davam conta de um possível “crescimento espacial” ou mesmo de “rejuvenescimento”. A análise final foi publicada há poucos dias na revista Science e trouxe os dados científicos explicados.

Os principais resultados do NASA Twins Study incluem descobertas relacionadas com alterações genéticas, a resposta do sistema imunológico e ou dinâmica de telómeros, mas também relacionadas com a capacidade cognitiva e com o sistema cardiovascular. Muitos deles estão em linha com dados recolhidos em estudos anteriores e de outras investigações em curso, sublinha a agência espacial.

As conclusões mostraram, por exemplo, que os telómeros de Scott, que são bio marcadores do envelhecimento no final dos cromossomos, aumentaram quando este estava no Espaço, mas encolheram depois do regresso à Terra para níveis inferiores aos registados no início da missão. Acabaram por voltar ao normal seis meses depois. Já os telómeros de Mark permaneceram estáveis ​​durante todo o período de análise.

Também atestaram que o sistema imunológico responde de forma apropriada, já que a vacina contra a gripe administrada a Scott no Espaço funcionou exatamente como teria funcionado em Terra. A NASA resume num vídeo as 10 conclusões chave da investigação.

“Ainda só arranhámos a superfície do conhecimento sobre o que acontece ao corpo humano no Espaço”, apontou Jennifer Fogarty, cientista-chefe do Programa de Investigação Humana do Johnson Space Center da NASA, em Houston. “O Twins Study deu-nos uma primeira visão integrada das mudanças genéticas e demonstrou como o corpo se adapta e permanece robusto e resistente, mesmo depois de passar quase um ano a bordo da Estação Espacial Internacional”.

A intenção da NASA é continuar a explorar os dados resultantes de investigações deste tipo durante os próximos anos.

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