"Espero que estejam todos orgulhosos por este incrível sucesso. Esta foi uma grande missão. Parabéns a todos". Foi com estas palavras que o responsável de missão deu por encerrado o acompanhamento do "grand finale" da Cassini, pouco depois da hora prevista, que estava marcada para as 12:54 (hora de Portugal).

A missão é um exemplo de cooperação e juntou a NASA, a ESA e a Agência Espacial Italiana, envolvidas em todo o processo de desenvolvimento e de análise da operação.

A comunidade científica reuniu-se para dizer adeus à sonda, que acelera ainda para o mergulho final depois de ter já perdido as comunicações com a Terra. O momento é de pesar, mas também de celebração, e vários cientistas acreditam que este é mais um passo na descoberta científica do Espaço e que pode incentivar mais descobertas e novas missões.

O ambiente da sala de controle foi partilhado num vídeo de 360 graus no YouTube, permitindo perceber por dentro todos os controles que acompanharam os últimos minutos da Cassini. Não há muito para ver, mas o nervosismo é latente, apesar da coordenação entre os diferentes responsáveis das várias áreas.

Nos momentos finais a sonda incendiou-se nos céus de Saturno e nestes último voo ainda vai recolher dados inéditos relativos à temperatura, auroras boreais, vórtices polares e outras características do planeta.

Isto além de toda a informação e fotografias que a Cassini já enviou para a NASA ao longo do tempo. A sonda efetuou esta última abordagem entre 1.710 e 1.630 quilómetros acima das nuvens que compõem o céu do planeta, num momento que a NASA apelidou de “grand finale”. O “suspiro” final da Cassini é a desintegração, como se fosse um meteoro.

Depois de ter gasto praticamente todo combustível disponível para exploração do planeta dos anéis, a Cassini foi propositadamente dirigida para a “morte” na atmosfera de Saturno, numa tentativa de manter as luas do astro “virgens” para novas e futuras missões. E espera-se que este derradeiro voo apresente dados nunca antes analisados sobre o que se passa nas 22 órbitas existentes entre o planeta e os seus anéis.

 

Quando a Cassini atingiu uma altitude onde a densidade atmosférica é cerca de duas vezes a encontrada até então – o que faz com que os propulsores deixem de conseguir manter as antenas apontadas para Terra –, a sonda perdeu o contacto com o controle da missão, o que foi observado pelos especialistas da NASA a partir de dois importantes observatórios situados em território norte-americano, o Goddard Space Flight Center, em Greenbelt, no estado de Maryland, e o IRTF (Infrared Telescope Facility), localizado no Havai, contando com o apoio do observatório W. M. Keck, também nesse país.

Envolvendo a NASA, a ESA e a Agência Espacial italiana, a missão da Cassini teve início a 15 de outubro de 1997, mas a sonda só chegou à atmosfera do planeta em 2004, levando consigo o módulo de aterragem Huygens. Em 2005 o módulo separou-se da sonda e aterrou na lua Titã, terminando a sua missão.

Na memória ficam algumas imagens captadas pela sonda e o módulo, mas também informação científica sobre a composição dos anéis do planeta e informação sobre as luas Titã e Encelado.

Os melhores momentos captados pela sonda e as principais fotografias estão agora disponíveis num ebook partilhado pela NASA.

Recorde ainda a simulação feita dos últimos momentos da sonda.

Nota da Redação: A notícia foi atualizada durante os últimos minutos da missão.