Mesmo depois de 129 dias (marcianos) de missão, o rover Perseverance tem vindo a ser acompanhado de perto pela equipa da NASA em Terra, que acompanha a jornada diária do robot pelo terreno difícil do planeta vermelho, observa as descobertas e ajuda a mapear os próximos passos. Os instrumentos a bordo são uma ajuda preciosa, mas do lado de cá, nos laboratórios da agência espacial norte americana, as imagens recebidas das câmaras e o recurso a óculos 3D são ferramentas essenciais para planear o desenvolvimento da missão.

Agora a NASA está a trabalhar para dar mais autonomia de navegação ao Perseverance, usando um sistema de AutoNav que combina a informação das câmaras para decidir o melhor caminho a escolher. O sistema foi melhorado e os cientistas estão confiantes no seu sucesso.

Na cratera Jazero, o robot continua à procura de sinais de vida em Marte e já percorreu quase um quilómetro de distância. O vídeo partilhado pela NASA mostra a primeira experiência de condução autónoma.

O AutoNAV faz mapas tridimensionais do terreno à frente do robot, identifica riscos e planeia rotas à volta de obstáculos sem precisar de ajuda dos controladores que estão a acompanhar na Terra.

“Temos uma capacidade chamada‘ pensar enquanto conduz ’”, explica Vandi Verma, engenheira sénior, planeadora de rotas e "motorista" de rover no Laboratório de Propulsão a Jato da NASA no sul da Califórnia. “O veículo espacial está a calcular a direção autónoma enquanto as rodas vão girando.”

Com a condução autónoma, e os upgrades que a NASA foi fazendo, o Perseverance pode atingir uma velocidade máxima de 120 metros por hora. O seu antecessor, o Curiosity, estava equipado com uma versão anterior do AutoNav, que permite apenas uma velocidade de 20 metros por hora. Agora o AutoNav fopi acelerado quatro ou cinco vezes, o que permite chegar mais longe e em muito menos tempo.

Vídeo da NASA mostra os momentos mais difíceis da missão da Perseverance na chegada a Marte
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“Vamos ser capazes de chegar a lugares que os cientistas desejam muito mais rapidamente”, disse Jennifer Trosper, que trabalhou em cada um dos rovers marcianos da NASA e é gestora de projeto do rover Perseverance Mars 2020. “Agora podemos dirigir por  terrenos mais complexos, em vez de contorná-los: não é algo que fomos capazes de fazer antes.”

A cratera Jazero já foi um lago há milhares de milhoões de anos, quando Marte tinha ainda água, e o destino do Perseverance é um delta de rio seco na borda da cratera.

A NASA admite que se a vida algum dia se instalou no início de Marte, é lá que se podem encontrar sinais da sua existência. O Perseverance vai recolher amostras em cerca de 15 quilômetros e, depois, prepará-las para serem enviadas numa missão futura que as trará de volta à Terra para análise.

Condutores na Terra para orientar missão em Marte

Apesar de mais autónomo, o Perseverance ainda precisa de ajuda da equipa da NASA no JPL, que desenvolve uma rota de navegação em conjunto com o planeamento da atividade do rover. Sao eles que decidem se vão examinar uma característica geologicamente interessante no caminho para seu destino ou se devem reforçar a recolha de amostras.

Por causa do atraso da comunicação entre a Terra e Marte, estas tarefas estão limitadas e não são executadas em tempo real.  não podem simplesmente mover o rover para frente com um joystick. O trabalho de planeamento tem de ser feito antecipadamente, com a análise da informação, e depois de enviadas as instruções o Perseverance só as executa no dia seguinte.

O rover já percorreu quase um quilómetro de distância mas tem ainda muito terreno para explorar pela frente. O seu companheiro Ingenuity, o pequeno helicóptero da NASA, tem também sido um dos alvos de curiosidade nas suas missões demonstrando a capacidade de voar no planeta.

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