No segundo trimestre do ano fiscal de 2020, que terminou a 30 de novembro de 2019, a Oracle já somava mais de 27 mil clientes no seu ERP Cloud, e esta área apresentava um crescimento de 3%, com um volume de negócios de 6,8 mil milhões de dólares, o que lhe confere um peso de 70% do total da faturação da empresa. Os números são impressionantes e representam bem o investimento que a Oracle tem colocado nesta área, como sublinhou hoje Bruno Morais, Country Manager da Oracle Portugal, durante um encontro com os jornalistas.

Apesar de não divulgar números de resultados e clientes em Portugal, o responsável pela subsidiária nacional garante que o segmento de Cloud “está a crescer acima da casa mãe”, a dois dígitos. A migração das empresas para a Cloud está a ser feita “ao ritmo dos clientes” e a Oracle oferece todas as opções que se adaptem ao negócio e mercado das empresas portuguesas, mas Bruno Morais destaca a importância da aposta na segunda geração de Cloud e nas ofertas diferenciadoras, sem esconder o objetivo de focar nas soluções de cloud pública.

No geral, os resultados em Portugal superaram o que era esperado em 2019, representando um reforço do investimento, números que são também reconhecidos pelos analistas, e Bruno Morais confessa ser um “optimista moderado” em relação a 2020, com perspetivas positivas. “Temos indústrias em ebulição e precisam de acelerar processo de digitalização para se manterem competitivas e melhorar o time do market, serviço ao cliente e desenvolvimento do negócio”, explica, dizendo que continua a ver o acelerar a adopção de cloud pública, mas também em sectores mais conservadores o investimento dentro do datacenter do cliente.

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O segmento de ERP é também um dos que mais cresce a nível global, dentro das aplicações que já vale 2,9 mil milhões de dólares, e que tem mostrado solidez em Portugal, com investimento de dois bancos na área de ERP e orçamentação no último ano.

“Continuamos a investir muito na área de inteligência artificial e autonomous software, que é um dos nossos principais diferenciadores”, acrescenta ainda Bruno Morais.

A Oracle tem promovido o crescimento do número de datacenters, que em 2019/2020 passa de 16 para 36, com um roadmap definido, como explicou João Borrego, solutions engineering director da Oracle. Em fevereiro vai ser aberto mais um na Europa e Portugal não está na lista, pelo menos para já.

Conceitos como data gravity, bases de dados multipropósito e a integração de dados de todos os formatos foram explicados pelo responsável por esta área na Oracle Portugal, que destacou ainda a importância da segurança que a companhia garante em todas as camadas de software.

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Para João Borrego, as empresas vão caminhar cada vez mais para a cloud pública, e essa adoção é uma questão de confiança. “Havia um preconceito grande no passado”, admite este responsável na Oracle, adiantando porém que já está a ser ultrapassado, desmistificando-se a ideia de acesso aos dados e de que era possível ter um maior nível de segurança na casa de máquinas do cliente do que num datacenter de uma empresa da dimensão da Oracle.

O (bom) exemplo da Glintt

No duplo papel de parceiro e cliente, a Glintt foi apresentada como um exemplo da utilização de Cloud em Portugal, depois de ter reforçado o investimento com Oracle neste trimestre em Public Cloud.

“A Oracle é um dos principais parceiros tecnológicos da Glintt e temos vindo a fazer algum investimento adicional relativamente às soluções que a empresa tem no mercado”, explica Nuno Vasco Lopes, CEO da Glintt, que lembra que o grupo, que nasceu da fusão entre a Consiste e a Pararede em 2008, conta com mais de 15 mil clientes, tem uma presença ibérica com grande peso no sector das farmácias e saúde (com 90% do mercado em Portugal e 60% em Espanha) e que em 2018 faturou 86,2 milhões de euros.

Com a tecnologia Oracle a empresa está a desenvolver dois projetos muito relevantes, um deles relacionado com a rastreabilidade de medicamentos através de um ID único que permite identificar a cada momento onde está cada medicamento, se no armazém do fornecedor, numa farmácia ou já em casa do cliente. Esta solução resulta da aplicação de uma diretiva europeia de combate à falsificação de medicamentos.

Outro dos projetos referenciados pelo CEO da Glintt permite a recolha em tempo real dos dados de transações nas farmácias e optimização da gestão do fluxo de medicamentos, e está em funcionamento em mais de 2.500 farmácias .

Nuno Vasco Lopes fez também uma abordagem ao mercado da Glintt, que continua a ser 100% portuguesa, e refere os vários pilares da empresa, onde estão o crescimento do negócio, reforço da presença ibérica, a inovação e as pessoas. Este é um desafio e um dos elementos considerados mais relevantes para o sucesso da tecnológica que está agora mais centrada na área core de saúde e soluções para a área farmacêutica.

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