Primeiro foi a Toshiba que revelou que não iria apresentar proposta ao concurso aberto pelo Ministério da Educação para a compra de 250 mil portáteis para o programa e-escolinha, mas as desistências têm-se sucedido, motivadas por razões de ordem económica e financeira e nos últimos dias confirmou-se que a HP, Dell, Samsung e Asus afinal não iam entregar propostas.

Apesar da informação cruzada – fornecida pelo próprio Ministério - que apontava como data de entrega das propostas o dia de hoje, 12 de Março, depois de duas alterações feitas ao anúncio do concurso internacional publicado em Janeiro, o limite de entrega na plataforma electrónica Vortal.gov foi definido para dia 8 de Março, acontecendo a abertura das propostas no dia 9 de Março. A informação foi confirmada pelo TeK junto da Secretaria-geral do Ministério da Educação, mais propriamente o CAPI, entidade responsável pelas compras agregadas e a gestão dos concursos públicos.

Fechada a fase de recepção de propostas são cinco as que estão a ser analisadas pelo júri: a J.P. Sá Couto, que fabricou os mais de 400 mil Magalhães entregues na primeira fase do e-escolinha; a Inforlandia, empresa que detém a marca portuguesa INSYS; um consórcio entre a ACER e a Bechtle, um distribuidor alemão; e a Prológica, que avança com duas propostas diferentes.

As empresas não querem adiantar grandes pormenores sobre as candidaturas entregues, aguardando agora a decisão do júri, para a qual não há data confirmada, apesar de vários pedidos de esclarecimento dos concorrentes que querem ter informação sobre a data do primeiro relatório preliminar.

Luís Cabrita, dono da Prológica, confirmou ao TeK que a empresa tem em cima da mesa duas propostas mas admite que nesta fase não pode adiantar a razão da duplicação, nem a configuração das mesmas. Garante porem que nenhuma das propostas integra computadores Mac, uma informação que tinha sido hoje avançada pelo Diário de Notícias.

A empresa é já parceira da J.P. Sá Couto no fornecimento do Magalhães para o e-escolinhas, com o consórcio YOUTSU, que é o integrador e faz a ponte com os operadores, e está também a fornecer equipamentos para o e-escolas.

Conhecendo por dentro a mecânica do processo, Luís Cabrita afasta a ideia de que o concurso do e-escolinha não tem viabilidade financeira. “Claro que vemos viabilidade financeira, se não víssemos não concorríamos. E estamos convencidos que a máquina que propusemos corresponde a todos os requisitos e vai ganhar o concurso”, sublinha o responsável da Prológica.

Do lado da Inforlandia a renitência em dar mais informações é a mesma. A empresa confirmou ao TeK que tinha apresentado a proposta ao concurso, mas considera que não é ainda altura de dar mais detalhes.

A J.P. Sá Couto tinha já adiantado à Lusa que tinha elaborado uma proposta dentro do preço do concurso e com soluções técnicas adequadas ao concurso e que aguarda agora com serenidade a decisão.

Quanto ao consórcio que junta a fabricante Acer com o distribuidor alemão Bechtle, o Diário de Notícias falou com Gabriel Ríos, responsável da empresa para a Península Ibérica, que explicou que foi criado pela ACER um departamento técnico na Suécia para trabalhar especificamente a área da Educação, não só para Portugal mas para toda a Europa, e que aproveitou o facto de ter em produção um novo modelo dedicado especificamente a estudantes.

A possibilidade de criar de forma fácil um novo modelo que se adaptasse aos requisitos do concurso tinha sido admitida ao TeK por Sérgio Silva, gestor de produto da Samsung, aquando do lançamento do procedimento pelo Ministério da Educação, mas afinal a empresa acabou por desistir, tal como a HP e a Toshiba. Estas duas alegam motivos de falta de viabilidade financeira para justificar o abandono das candidaturas.

João Amaral, Director-geral da Toshiba em Portugal, tinha feito as contas numa entrevista ao Jornal de Negócios e concluiu que, caso ganhasse este contrato, as perdas poderiam chegar aos 15 milhões de euros.

“O valor por equipamento fixado pelo concurso veio a revelar-se insuficiente para suportar a aquisição, a instalação e manutenção dos equipamentos fornecidos durante o seu ciclo de vida útil", impossibilitando assim a participação da empresa no concurso, justificou este responsável.

A posição oficial da HP é semelhante. Alexandre Silveira, Director de Marketing da área de PSG (Personal Systems Group), afirma que “A HP mantém que teria todo o interesse em participar e dar o seu contributo a este projecto do Ministério da Educação mas decidiu não avançar com a sua proposta, por razões de viabilidade económica”.

Apesar de lembrar que a sua linha de netbooks Eeepc tem uma quota de mercado superior a 50% em Portugal, o que prova a boa aceitação no mercado nacional, André Gonçalves, responsável de marketing da Asus em Portugal, admite que “as limitações de preço por máquina são limitativos para a criação de um modelo específico para este
concurso”.

André Gonçalves lamenta ainda “o facto das especificidades dos requisitos da máquina a ser apresentada estarem muito perto do que é a realidade do Magalhães 2, situação esta que, lamentavelmente, veta o acesso de
qualquer um dos nossos modelos de mercado (Eee Pc) a este concurso”.

As propostas apresentadas ao concurso estão agora nas mãos do júri que poderá ainda excluir alguns dos concorrentes que não cumpram todos os requisitos e formalidades. Como já tínhamos referido, não há confirmação para a data em que serão conhecidos os resultados desta avaliação.

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