Casas inteligentes, Internet das Coisas, Internet de Todas as Coisas. São conceitos que esmiuçados são diferentes, mas que estão ligados no seu conceito: ter todos os equipamentos eletrónicos de um local conectados à Internet, a comunicarem e interagirem entre si, e tendo como objetivo primário a simplificação e automatização de tarefas.



Os norte-americanos são aqueles que estão a fazer uma maior esforço neste sentido, de ter tudo ligado, e a aposta feita já começa a ter resultados visíveis. Na opinião do gestor de alianças estratégicas da LG, Eugene Yoo, a Europa está atrasada entre 12 a 18 meses relativamente ao que acontece nos EUA.



Quer isto dizer que o que está a acontecer atualmente do outro lado do Atlântico – tanto ao nível de equipamentos, como de soluções de software e outras infraestruturas -, só vai tornar-se realidade europeia na segunda metade de 2016. E sabendo que a Internet das Coisas vai ser um dos grandes motores económicos da área da tecnologias no curto prazo, então o “velho continente” está mal preparado.



Um exemplo simples: porque é que a LG não trouxe até Lisboa, no seu evento InnoFest, a sua inovadora máquina de lavar Twin Wash? Porque para já só faz sentido no mercado norte-americano, respondeu Eugene Yoo.



Em conversa com o TeK o responsável da tecnológica sul-corena considera que o mercado europeu é demasiado fragmentado para que possa haver uma unificação entre empresas de diferentes países. E é justamente nesta área que a LG procura ganhar destaque.



A tecnológica sul-coreana faz parte de várias alianças – One M2M, AllSeen Alliance – que tenta juntar várias empresas em torno de uma maior uniformização dos standards para as casas inteligentes. Os identificadores de fumo da Nest funcionam com equipamentos da LG, por exemplo.



Questionado se a empresa está a trabalhar com parceiros em Portugal, Eugene Yoo disse que de momento não há nada neste sentido, mas que a empresa está constantemente à procura de novos parceiros. “Estamos abertos a mais”, explicou o executivo.



A visão da Europa fragmentada também é partilhada pelo presidente da EISA, entidade que atribui selos de qualidade na área dos equipamentos de eletrónica do audiovisual.



“Esse é o grave problema. Estou habituado a trabalhar com a CEDIA, organização que sempre tratou com tecnologias de integração e de automatismos, e que sempre teve grandes dificuldades em vir para a Europa. Portanto há que transplantar um bocado a ideia e o conceito dos EUA. Os EUA é um país, aqui são 30 países com culturas diferentes, com legislações internas diferentes e isto cria, não digo um pesadelo, mas uma dificuldade enorme em termos de implementação, até na distribuição de conteúdos”, explicou Jorge Gonçalves.



O líder da EISA considera no entanto que a situação de recessão económica que ainda se atravessa é justamente o melhor mote que os países podem ter para estimular “a atuação de um modo mais unido das instituições”.



Quer isto dizer que cenários de casas inteligentes como aqueles propostos por empresas como a LG e a Panasonic estão ainda longe de serem concretizados, sobretudo ao nível do consumidor comum.

Rui da Rocha Ferreira


Escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

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