Não há dúvidas que as empresas são cada vez mais pressionadas sobre a questão da privacidade, tanto pelos consumidores como pelos reguladores e a Apple e a Google não têm sido exceção. Ainda no final da semana passada o Bloomberg avançou com a notícia de uma investigação às duas empresas, juntamente com a Amazon, devido aos seus assistentes virtuais. Mas, a pensar numa alternativa, têm surgido duas startups, a eFoundation e Purism.

O eOS da eFoundation quer ser uma versão livre do Google do Android, que apresenta uma ampla gama de suporte e dispositivos. Não é um ideia nova, é certo, uma vez que já existe o LineageOS.

No entanto, citado pelo site Fast Company, o presidente da eFoundation afirma que produzir uma versão do Android completamente “livre” do Google requer muito mais esforço do que remover aplicações do Google, como o Gmail. Até o LineageOS envia alguns dados através dos servidores da Google ou depende dos seus serviços, de acordo com o site.

Há 20 anos, a Duval criou o Mandrake Linux, uma distribuição mais acessível do sistema operacional de código aberto. Com base nessa experiência, o presidente da organização sem fins lucrativos quer substituir o Google do Android pela sua versão eOS, apenas clicando num botão de uma loja de aplicações.

A versão beta atual do software suporta cerca de 75 modelos diferentes de smartphones. No entanto, por enquanto o processo é semelhante a instalar qualquer ROM personalizado num telemóvel Android, o que não é muito conveniente. Até que a eFoundation possa oferecer o seu próprio hardware projetado do zero precisará de contar com drivers de hardware de terceiros que não controla.

Evitar essa responsabilidade é um dos principais objetivos da Purism e o seu próximo smartphone, o Librem 5, é exemplo disso mesmo. De acordo com o site, a marca tem vindo a apostar em computadores portáteis com um forte foco em segurança e privacidade desde 2015. O smartphone recorre à versão do Linux do Purism, o que reduz a dependência com o ecossistema da Google.

Com o eOS, a eFoundation está a adotar uma abordagem semelhante à da Google, tentando que o seu software chegue a tantos smartphones quanto possível para alcançar a “omnipresença”. A Purism, ao contrário, está a apostar numa integração similar à Apple, desenvolvendo o seu próprio sistema operativo.

Embora a abordagem de desenvolvimento de produtos da Purism apresente semelhanças com a da Apple, existem algumas diferenças críticas. Ao contrário da Apple, a Purism desenvolve softwares abertos e gratuitos para serem utilizados por outros desenvolvedores.

Resta agora saber quanto tempo vai demorar para estas alternativas estarem realmente consolidades, numa altura em que a Google e a Apple são as duas gigantes tecnológicas a controlar o mercado dos sistemas operativo dos smartphones. Pelo menos até a Huawei entrar, ou não, no mercado com o seu HarmonyOS.

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