A Europa tem uma comunidade de investigadores em Inteligência Artificial bem preparada, mas está muito atrasada na capacidade de investimento, e sobretudo na componente privada. Enquanto a China investe 8 mil milhões e os Estados Unidos 15 mil milhões nesta área, na Europa o investimento não ultrapassa dos 3 mil milhões, e os responsáveis da União Europeia querem mudar a situação. O objetivo é chegar aos 20 mil milhões de investimento anual, combinando o orçamento para o programa Digital Europe, o Horizon Europe e investimento privado.

Nos planos da Europa estão também a dinamização dos Digital Innovation Hubs, com a possibilidade das pequenas e médias empresas fazerem testes nas várias áreas de aplicação, assim como a preparação da sociedade para as mudanças que a transformação vai trazer na forma como usamos serviços mas também nos empregos. E para tudo funcionar é preciso confiança na tecnologia, o que deve ser conseguido com a regulação, ética e transparência.

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Khalil Rouhana, diretor de DG Connect, deixou bem claro na conferência ICT 2018 que a confiança é um dos valores que a Europa pode trazer à tecnologia de inteligência artificial. “Queremos uma IA que traga garantias de transparência, democracia, segurança. Uma IA que é para todos e ao serviço de uma sociedade melhor e que ajude a dar um passo em frente”, afirma, garantindo que foram estes princípios que guiaram a estratégia anunciada em Abril deste ano.

Nos últimos meses a DG Connect tem trabalhado com vários stakeholders e os Estados membros no desenvolvimento das linhas de ação definidas, e esta sexta feira vai anunciar uma estratégia concertada para ter investimento público-privado, onde se define a forma de colaboração, se alinham as áreas estratégicas e os pontos que precisam de massa crítica de investimento.

Outro dos anúncios feitos por Khalil Rouhana está relacionado com as orientações éticas para a Inteligência Artificial, que devem ser publicadas, ainda em draft, até final do ano. O documento resulta do grupo de trabalho de ato nível em IA que conta com 52 especialistas na matéria mas também dos contributos da indústria e da comunidade académica.

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“Se queremos ter um papel a dizer na forma como a IA vai evoluir temos de ter uma forte capacidade industrial, uma comunidade de investigação e presença tecnológica na IA e no seu uso”, avisa o diretor da DG Connect, lembrando mais uma vez que isto só é possível com investimento.

Durante o debate, vários participantes reforçaram a ideia da transparência, mas também de manter o Humano no comando, como salientou Catelijne Muller, presidente da ALLAI na Holanda. Também Cecilia Bonfeld-dahl, da Digital Europe, defendeu uma visão positiva e a definição de uma estratégia clara. “Temos de saber o que queremos com a Inteligência Artificial. Se queremos falar de ética temos de saber primeiro para onde vamos”, justificou.

Uma conferência centrada na inovação

Mais de 5 mil investigadores, empresas e decisores estão registados para o ICT 2018 que decorre entre os dias 4 e 6 em Viena, com mais de 100 sessões paralelas de conferências e debates, espaço de networking e exposição, onde figuram os principais projetos europeus de investigação.

Há ainda maratonas de ideias e o fórum de inovação e startups, workshops e vários eventos paralelos dedicados aos temas da investigação, financiamento e inovação.

Organizado em conjunto pela Comissão Europeia e a presidência austríaca do Conselho da União Europeia, o ICT 2018 tem como tema Imagine Digital – Connect Europe e o objetivo é que a discussão ajude a definir também as prioridades da transformação digital na sociedade e na indústria, servindo de ponto de encontro para investigadores e empresas envolvidas na I&D europeia.

Na área de exposição estão presentes alguns dos principais projetos financiados pelos programas europeus e nos dias 5 e 6 o Innovation and Startups Forum acolhe sessões dedicadas a temas mais técnicos, como o blockchain, e a entrega dos prémios Innovation Radar.

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