O entusiasmo é o mesmo e o Linux 2014, que ainda decorre no Tecnolópolis em Lisboa, continua a encher o auditório com uma assistência interessada em conhecer as tendências e os casos de sucesso de implementação de software open source que todos os anos a organização consegue trazer ao palco, entre organizações nacionais e internacionais.

Este ano o tema é “Understanding the Present, Predicting the Future” e entre as apresentações contam-se os casos de migração do Governo Regional de Valência, o modelo aberto da cidade de Toulouse e o projeto de cloud privada da Universidade do Porto.

A mudança para o tema da mobilidade já tinha estado bem presente nas edições anteriores, mas Paulo Trezentos trouxe para o Linux 2014 mais números sobre o crescimento da plataforma Android, mas com um interrogação que levanta a dúvida: Android Open Source ou não?

O diretor técnico da Caixa Mágica traçou a evolução histórica do sistema operativo desde o seu desenvolvimento pela mão de Andy Rubin à integração na Google, mas mostra como as mudanças tecnológicas que estão a ser assumidas pela gigante da Internet estão a causar alterações ao modelo de negócio.

Num mundo onde há dois Androids, Paulo Trezentos aponta o desenvolvimento do Google Mobile Services, que obriga a uma certificação que custa 20 mil dólares à partida, mais 10 mil por cada alteração. Em conjunto com a tendência para a recolha de informação privada estas mudanças fazem com que a Google seja apelidada de “Gémeo Mau”, numa equação que torna o Android cada vez menos um sistema aberto.

O caso da loja de aplicações Aptoide, que ainda está em curso e que opõe a startup portuguesa à Google, é um dos exemplos desta evolução negativa no sistema operativo móvel que já domina o mercado de telemóveis, mas Paulo Trezentos dá outras pistas para quem quiser seguir esta evolução para “o lado mau da força”.

“Não há aqui nenhuma teoria da conspiração sobre se a Google é “evil”ou não. Isso cada um deve decidir, mas de algumas coisas temos a certeza e podemos ver que soluções mais livres como o UbuntuOS, FirefoxOS e Tizen não vingaram”, lembra.

Mesmo assim o diretor técnico da Caixa Mágica, e fundador da Aptoide, garante que “o futuro não é sombrio para o Android”. A esperança está na versão base do sistema operativo, a AOSP, que está a registar um crescimento significativo em mercados da China e da América Latina, sobretudo pela mão de fabricantes asiáticas que não querem licenciar os serviços da Google e que oferecem outras aplicações e camadas de serviços, com muito maior liberdade para os developers e oportunidades para as empresas que querem investir nesta área.

A propósito desta visão sobre a Google, Eduardo Taborda, diretor-geral da Syone, lembrou que há alguns anos todos apontavam o nome da Microsoft como o “bad guy” e a Google o "good guy" do open source, mas que “à medida que as empresas crescem começam a aparecer outras tentações” e técnicas cada vez mais questionáveis.

Vale a pena apostar nos desktops Linux?

Todos os anos a questão colocada no Linux 2014 tem sido sobre a possibilidade de se concretizar, em Portugal, o crescimento da implementação de software open source nos computadores pessoais, mas Gustavo Homem defende agora que faz mais sentido saltar esta etapa e passar diretamente para o modelo de desktops virtuais, com Linux, claro.

O diretor técnico da angulo sólido lembra que nos últimos anos os maiores projetos de adoção de Linux no desktop em Portugal não ultrapassam as 30 a 50 máquinas, mas que a solução de VDI vem agora oferecer uma opção madura, com menos custos e menor consumo de recursos para as organizações.

Agora que as soluções de VDI estão disponíveis para Linux deixa de fazer sentido pensar em instalação máquina a máquina, mesmo com a mudança do parque de computadores com Windows XP. “Se esperámos tanto tempo em Portugal para mudarmos os desktops para Linux podemos ir diretamente para o VDI e por tudo em datacenters e ter a equipa e gerir de forma mais eficiente o parque informático”, garante, sem as limitações que antes existiam.

A disponibilidade alargada de redes LAD gigabit, a normalização das soluções de virtualização e a redução do custo de GHz nos servidores concorrem para tornar os desktops virtuais de Linux uma boa opção, a que se soma também a maior disponibilidade de redes de comunicação de banda larga.

O modelo tem vindo a ser implementado pela ângulo sólido mas Gustavo Homem não avança casos concretos de implementação, acrescentando apenas que o pacote da solução que tem vindo a ser testada com sucesso está disponível para implementação em clientes mas também para transferência de know how em parceiros que queira utilizar esta experiência.

Esta tarde sobem ainda ao auditório do Linus 2014, Adriano Afonso, fundador da comunidade LibreOffice Portugal e Grant Williamson, Linux integration architect da IBM que vai abordar a estratégia de implementação interna do posto de trabalho Linux. Haverá ainda lugar à entrega dos prémios Abertura, da ESOP, cujos nomeados já são conhecidos.

As apresentações podem ser seguidas através do Webcast.

Escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

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