O ministro da Educação e da Ciência, Nuno Crato, afirmou ontem que "mais que computadores ou quadros interativos, o que mais falta faz nas escolas é empenho". Citado pela agência Lusa, o ministro falava no âmbito de uma visita oficial a Gouveia, integrada nas comemorações do Dia do Município da Cidade.

Segundo a agência, Nuno Crato afirmou que é "necessário fazer melhor com menos meios" e que isso obriga ao "empenho" de todos, professores, alunos e pais, referindo também que é necessário haver mais disciplina e respeito pelos professores, tanto da parte dos alunos como dos educadores.

Aparentemente a referência aos computadores e equipamentos tecnológicos usados nas escolas não foi mais longe, servindo apenas de comparação, mas o TeK questionou também o Gabinete do ministro sobre os planos para esta área, apurando que não há quaisquer novidades na área do Plano Tecnológico da Educação ou dos programas definidos para o Ensino Básico e Secundário nesta área.

O discurso de necessidade de maior empenho e de rigor nas escolas já tinha pautado a intervenção de Nuno Crato no debate do Programa do Governo na Assembleia da República, no início de Julho, onde foram apresentadas as linhas gerais do programa do Governo no que se refere à Educação e à Ciência.

Nesta intervenção o Ministro não fez qualquer referência à utilização das tecnologias da informação no âmbito da educação, ou do equipamento das escolas e fornecimento de recursos aos alunos, áreas que tinham sido privilegiadas pelo Governo de Sócrates que avançou com o Plano Tecnológico da Educação, os programas e-escola e e-escolinha, no âmbito dos quais foram distribuídos mais de milhão e meio de computadores portáteis a alunos do ensino básico e secundário, entre os quais o famoso portátil Magalhães.

Recorde-se ainda que o Plano Tecnológico da Educação permitiu equipar as escolas portuguesas com ligações Internet de banda larga, redes locais, computadores pessoais e quadros interativos, melhorando o equipamento das escolas com mais de 111 mil computadores, 28 mil videoprojetores e 5 mil quadros interativos.

O novo Governo de Passos Coelho não deu também ainda seguimento ao projecto e-escolas 2.0 que pretendia renovar o programa de distribuição de computadores portáteis aos alunos e professores, mas com maior enfoque nos conteúdos, como o TeK escreveu em Janeiro.

Escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico