Esta quarta-feira, 29 de janeiro, realizou-se a quinta edição dos Prémios PlayStation Talents, destacando o talento nacional na produção de videojogos, em diversas categorias. O grande vencedor foi o videojogo Back Then, que garantiu ao estúdio Outriders & RP Studios o prémio monetário de 10 mil euros, possibilidade de trabalhar num espaço durante 10 meses, um kit de desenvolvimento da PS4 e ainda marketing no seu lançamento avaliado em 50 mil euros.

Back Then não só foi o melhor jogo da noite, como acumulou o prémio da categoria especial Games For Good, realizado em parceria com a IADE, que destaca projetos que contribuam para o bem da sociedade ou tecnologias e soluções de gamificação. O jogo que nasceu durante uma Global Game Jam em 2019 e “desde início queríamos ter uma mensagem por trás, não apenas mais um jogo. Nasceu a ideia do Back Then, inicialmente baseado na paralisia do sono, um mini-game super simples, as que evoluir para um idoso numa cadeira de rodas com Alzheimer”, explicou o jovem de 19 anos Ruben Pereira, game designer e marketing do estúdio em entrevista ao SAPO TEK.

A partir da ideia inicial, a equipa fez a narrativa, a música, utilizando como inspiração as suas próprias experiências pessoais, visto que três dos elementos da equipa tinham familiares afetados pela doença de Alzheimer “e queríamos dar um pouco mais de luz sobre o assunto”.

E como se traduz uma doença como o Alzheimer num videojogo? Segundo explica Ruben Pereira, o jogo divide-se em duas partes, no presente, e quando o idoso era mais jovem. “Vamos vendo como a doença tem vindo a agravar a sua saúde, como a família lida com ele, e queremos colocar o máximo de referências da nossa vida pessoal, não só como desabafo, mas também como exemplo, e espero eu, ensinar alguma coisa aos jogadores”, explica o jovem vencedor.

No presente, a personagem tem interações limitadas, até porque se encontra numa cadeira de rodas. Cada vez que se lembra do seu passado, mais itens aparecem ao seu redor, levando-o a ter um flashback de quando era jovem, abrindo a sua casa para exploração. A partir daí há puzzles secretos, itens interativos ligados à narrativa. A equipa inspirou-se em outros jogos com mensagens pessoais, como That Dragon, Cancer um título que serviu de carta de amor e despedida dos pais de uma criança que foi diagnosticada com cancro. “Se forem fãs de jogos narrativos muito mais íntimos, então Back Then é um deles”, acrescenta.

Para a equipa, o reconhecimento com o prémio significa uma grande motivação e confiança, “pois nunca estivemos à espera de ganhar este prémio, nem por sombras, pois como o Alzheimer é um tema muito pesado e forte para falar com as pessoas, partimos do pressuposto que não deveria haver muita adesão, algo que se provou ao contrário e queremos agarrar esta oportunidade”.

A equipa já tem até uma ideia de lançar o jogo no final do ano, pois tem a documentação preparada, “estamos em fase de produção, que é depositar horas, explorar a narrativa, o planeamento de gameplay está pronto, por isso é meter as mãos na massa e ter o jogo pronto no fim do ano, início do próximo.

O jovem refere ainda que o prémio monetário não vai servir para investir em mais pessoas para acelerar a produção, mas sim “uma ajuda incrível para expor o jogo”, visto que uma das suas principais dificuldades está a ser divulgar o projeto.

“Comecei a fazer videojogos com cerca de 13 anos e tudo começou de uma forma completamente ridícula, ao ter perguntado ao meu pai como se faziam, o qual me respondeu: vai ao Google. E pronto, aqui estou eu”. Ruben Pereira refere que sempre gostou de escrever e editar vídeos, expor-se criativamente “e jogos engloba isso tudo”.

Questionado sobre se pretende continuar a sua carreira em Portugal, estando neste momento a produzir o seu terceiro jogo, ou aceitar eventuais propostas no estrangeiro, o jovem não fecha portas a convites, no entanto, “um futuro perfeito para mim é continuar com esta equipa, pois é malta incrível, cinco estrelas, não faltando ideias e o pessoal quer trabalhar, e dessa forma fazermos a nossa empresa em Portugal e ter sucesso por cá”, mas se houver propostas, terá de pensar nas suas variáveis. “Mas para já ainda estou em choque com este prémio”…

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