A iniciativa UKISHELP, um serviço financiado pela União Europeia concebido para promover a participação de empresas e organizações do Reino Unidos nos programas comunitários sobre a Sociedade da Informação, divulgou ontem um relatório que parte do conceito de "ambiente inteligente" para examinar de que forma é que as novas tecnologias vão integrar, nos próximos anos, micro-computadores em objectos do quotidiano, com vista a tornar a interacção com outras pessoas o mais natural possível.



Comissionado pelo ISTAG (Information Society Technologies Advisory Group - um grupo de aconselhamento da Comissão Europeia sobre a estratégia, conteúdo e direcção do trabalho de investigação a ser realizado no âmbito do programa de Tecnologias da Sociedade da Informação), este relatório baseia-se na pesquisa actual financiada pela União Europeia e recorre a cenários da vida real para descrever o que será, para os cidadãos europeus, viver num "ambiente inteligente" por volta do ano 2010.



Para o UKISHELP, este documento poderá inspirar ainda mais a companhias do Reino Unido a obterem fundos comunitários no sector das tecnologias da informação. Os cenários referidos neste estudo foram desenvolvidos pelo Instituto de Estudos Prospectivos Tecnológicos (IPTS) do Centro Associado de Investigação da Comissão Europeia. O IPTS fornece análises tecno-económicas para apoiar os políticos comunitários.



O conceito de ambiente inteligente resulta da convergência entre três importantes tecnologias: computação ubíqua, comunicação ubíqua e interfaces inteligentes "amigos do utilizador". Esta noção tira partido das vantagens da Europa no campo das comunicações móveis, difusão digital de áudio e vídeo, conteúdos ricos e infra-estruturas de rede, permitindo potencialmente realizar de uma forma rápida e completa a convergência de aplicações fixas e móveis .



Segundo o relatório, um instrumento essencial para a concretização desse ambiente inteligente em 2010 será o D-Me ou Digital Me, um dispositivo electrónico embebido nas roupas, ou até no corpo, e activado por voz que irá constituir uma versão digital do indivíduo.



O D-Me pode ser caracterizado como um dispositivo de aprendizagem, através da compreensão das interacções do sujeito com o seu ambiente, mas também de actuação, oferecendo funcionalidades de comunicação, processamento e de tomada de decisões. O utilizador pode, contudo, programá-lo, sendo posteriormente esses dados actualizados periodicamente, caso não se confie nas reacções "inteligentes" do aparelho.



Entre outras capacidades, o D-Me será capaz de efectuar uma reprodução fidedigna da voz e pronúncia do seu proprietário, caso este esteja ocupado, numa versão mais sofisticada do voice-mail actual. Permite ainda a partilha de informações entre utilizadores com os mesmos interesses, estabelecendo para tal níveis de privacidade e a comunicação entre outros dispositivos semelhantes. Os toques de outros utilizadores poderão também ser pré-estabelecidos.



Em 2010, devido à progressiva massificação do D-Me, poucas pessoas continuarão a transportar terminais móveis. Para isso, existem os Displayphones que permitem efectuar essas funções e estão disponíveis em espaços privados e públicos. Sempre que se precise, o D-Me de cada utilizador aponta para o terminal móvel mais próximo. Uma outra vantagem da futura tecnologia do Digital-Me poderá ser a realização de conferências telefónicas com a participação simultânea de três pessoas distantes umas das outras e a tradução em tempo real de voz.


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