Todo o esforço da indústria das tecnologias de informação de consumo está concentrado na mobilidade, com ligações de dados móveis omnipresentes e dispositivos variados que, cada vez mais, privilegiam o baixo consumo e apresentam autonomias surpreendentes, aumentando a produtividade dos trabalhadores que desempenham funções fora do escritório e longe de qualquer tomada.

Também nos dispositivos pessoais, assistimos à emergência de plataformas de computação móveis, patentes no crescimento e afirmação das vendas mundiais dos portáteis e telemóveis, bem como nas propostas vanguardistas que esperam a sua entrada no mercado ainda este ano, alimentadas pelos novos processadores Atom da Intel.

Toda esta tendência para a ubiquidade dos dados e pelo carácter pessoal e transportável dos equipamentos é alimentada por um dos componentes mais subestimados na maior parte dos dispositivos: as baterias.

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Apesar da importância das baterias, existe bastante confusão acerca do melhor modo de utilização destes componentes ou da forma de maximizar o seu rendimento e tempo de vida útil.

As baterias modernas mais frequentemente usadas pelos fabricantes são, geralmente, baterias de iões de lítio, também denominadas Li-ion, estando também presentes no mercado alguns dispositivos com baterias de Níquel-Cádmio (NiCd) ou Níquel e Hidrato Metálico (NiMH), bastante vulgarizadas nas pilhas recarregáveis de consumo, mas menos frequentes nas soluções integradas (baterias específicas do fabricante para portáteis).

Dado a variante Li-ion ser, neste momento, a mais utilizada nos computadores portáteis, as indicações publicadas referir-se-ão exclusivamente a este tipo, não devendo ser aplicadas noutros tipos de baterias.

Os fabricantes de computadores portáteis oferecem nas suas páginas de suporte alguns conselhos para o cuidado e manutenção das baterias de portáteis, com prescrições que variam de acordo com o fabricante e que são, muitas vezes, contraditórias.

Cuidados e manutenção

A Apple, por exemplo, recomenda, essencialmente, uma utilização frequente da bateria, sendo as boas práticas representadas por um utilizador que utiliza o seu computador diariamente numa viagem de transportes públicos e ao chegar ao escritório, liga o computador à corrente. Apesar de não ser necessário à optimização e manutenção da bateria, a Apple recomenda um ciclo de carga/descarga completo pelo menos uma vez por mês.

O utilizador deverá usar o seu computador até este entrar em modo de hibernação e só depois recarregar totalmente o portátil. Este ciclo de carga/descarga não se deve ao famigerado efeito de memória das baterias, um preconceito herdado de gerações anteriores de baterias e com muito pouca ou nenhuma expressão nas baterias de iões de lítio. Nestas, o ciclo de carga/descarga deve ser efectuado apenas de 30 em 30 ciclos normais ou até mais e tem como objectivo calibrar componentes externos à bateria, nomeadamente um visualizador de carga externo.

Outra das recomendações da Apple, comum a outros fabricantes, refere-se às condições de armazenamento prolongado das baterias, recomendando o fabricante que as baterias de iões devem ser carregadas até cerca de 50 por cento da sua capacidade antes do armazenamento. Esta medida torna-se necessária apenas devido aos já referidos componentes externos da bateria, já que as células de iões de lítio 'burras', isto é, sem medidores de carga incorporados, possuem um factor marginal de auto-descarga. Com pouca carga, o circuito de diagnóstico poderia exaurir completamente a bateria, colocando-a num estado de descarga profunda, potencialmente irrecuperável.

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O estado de descarga profunda é um dos principais aspectos negativos das baterias Li-ion. Para evitar essa situação os fabricantes integram no hardware e nos controladores do sistema operativo, mecanismos que inibem a utilização da bateria abaixo de certa carga, impossibilitando-as de perderem totalmente a carga no decurso de uma utilização normal.

A HP recomenda que as baterias devem ser totalmente descarregadas antes de qualquer recarga. Apesar do artigo do fabricante ser generalista, referindo-se a baterias Li-ion, NiMH e NiCd, poderá ser particularmente prejudicial para as baterias de iões de lítio, devido ao efeito de descarga profunda. A fabricante de computadores Lenovo aponta correctamente para as diferenças de manutenção entre os diferentes tipos de bateria.

Na sua página dedicada aos cuidados e manutenção de baterias, a HP recomenda ainda que as baterias devem ser conservadas numa temperatura entre 20° e 25° graus centígrados e nunca expostas à luz solar directa ou fontes de calor por períodos de tempo prolongados. Ambas recomendações correctas.

De facto, a temperatura é um dos principais pontos de oscilação das cargas possíveis e duração das baterias de iões de lítio. Temperaturas altas danificarão completamente a capacidade da bateria de reter carga. Temperaturas muito baixas poderão levar a que a bateria seja incapaz de carregar durante um período de tempo, sendo a situação reversível.

As baterias Li-ion beneficiam de serem frequentemente ou ocasionalmente conservadas num frigorífico comum, que não é capaz de atingir as temperaturas negativas que inibem a recarga. A perda de capacidade gradual de uma bateria de iões de lítio poderá ser de 6 por cento ou menos, quando conservada a uma temperatura de 0° Centígrados, elevando-se para 20 por cento à temperatura ideal de 25° Centígrados e atingindo perdas de 35 por cento da sua capacidade a 40° Centígrados.

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A sensibilidade à temperatura leva-nos a uma das questões mais frequentes dos utilizadores: "Devo deixar a bateria no portátil quando faço uma utilização maioritariamente estacionária e ligada à corrente?"

A resposta é não, essencialmente pelo facto da maior parte dos portáteis gerarem quantidades apreciáveis de calor durante o seu funcionamento e dada a forma e distribuição dos seus componentes, a bateria estar bastante exposta a essas altas temperaturas.

Ao contrário daquilo que muitas vezes é veiculado no senso comum, as baterias não devem ser retiradas para evitar danos causados por sobrecarga, já que, graças à sua natureza intrinsecamente instável, as baterias de iões de lítio possuem um número superior de características e mecanismos de segurança internos, quando comparadas com as baterias de Níquel Cádmio e de Níquel e Hidrato Metálico. Um dos mecanismos integrados, geralmente em redundância, no próprio portátil e internamente na bateria, é um interruptor de carga.

O aspecto fundamental

Um factor pouco divulgado, mas preponderante, na longevidade das baterias de iões de lítio é a sua data de fabrico. Na verdade, o factor de entropia num circuito fechado é a principal condicionante na capacidade de retenção de carga deste tipo de baterias.

O que determina a capacidade da bateria de iões de lítio, tanto em termos de longevidade, como de autonomia fornecida, é a sua idade. Uma bateria que esteve em armazém ou em loja durante algum tempo terá sempre menos capacidade que uma bateria acabada de fabricar, pelo que será sempre aconselhável notar a data de fabrico aquando da compra de uma bateria principal ou suplementar.

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