Na sessão de abertura do segundo dia do Congresso da APDC três visões dominaram o debate sobre o tema dos próximos 20 anos, onde a gestão de talentos, a evolução da infra-estrutura e o seu modelo de negócio e as promessas do sistema Galileu foram dominantes.

François Bar, professor da Universidade da Califórnia, alinhou as principais tendências que definem o intenso debate nos estados Unidos sobre a neutralidade da Internet e a forma como esta afectará os utilizadores e os fornecedores de serviços. Com uma visão académica, distante de qualquer uma das facções, o professor apresentou os prós e contras de taxar a transmissão de conteúdos pela Internet, pagando uma parte das receitas obtidas com os serviços aos proprietários das redes.

“Existem vantagens e desvantagens, mesmo para os utilizadores”, admitiu François Bar durante a sua apresentação, afirmando que é preciso proteger os utilizadores da degradação dos serviços e eventual bloqueio que os operadores venham a introduzir a sistemas como o Skype, por exemplo, preservando também a inovação.

O dilema apresenta-se porque a necessidade de taxar os conteúdos é usada como argumento pelos detentores da infra-estrutura para continuar a investir na rede. Dessa forma evita-se a degradação da qualidade do serviço de rede e garante-se a possibilidade de gerar fundos que criem novas investimentos em infra-estruturas.

O professor diz ainda que para gerir esta situação será necessário criar boas regras e conseguir impô-las, duas matérias que apresentam grandes desafios aos reguladores. “Se eu vir que é difícil utilizar o Skype numa determinada rede é quase impossível verificar se isso se deve a sistemas de bloqueio introduzidos pelo operador ou a impressibilidade da própria transmissão de tráfego”, exemplifica François Bar.

Apesar de não ter tomado posição durante a sua apresentação em relação a nenhuma das partes em disputa nesta questão, à margem da sessão François Bar admitiu ao TeK que prefere que se mantenha na Internet alguma neutralidade.

O professor defende que é perigoso que o Governo norte-americano não tome uma decisão, num dos sentidos, embora admita que na actual situação a ameaça imposta sobre os operadores de rede possa funcionar como desincentivadora de situações anti-concorrenciais. “Os carriers têm ainda a ameaça da sanção pelos reguladores, embora seja muito difícil escrever uma boa regra para esta matéria e impô-la”, afirma.

Debate que dificilmente afecta a Europa
François Bar explicou ainda o TeK proque acredita que esta questão da Net Neutrality dificilmente afectará a Europa. “O debate surge nos Estados Unidos porque existe um poder muito grande das redes de cabo e dos operadores fixos. Foi mais uma questão de ‘ciúme’ da rede fixa porque os operadores de cabo podem impedir a transmissão de conteúdos na sua infra-estrutura, ou taxá-los, enquanto no fixo isso não é possível”, justifica.

Por isso mesmo o professor acredita que na Europa a questão da neutralidade da Web, ou de se vir a taxar os conteúdos garantindo uma nova receita aos operadores, não se colocará tão cedo nem de forma tão premente. “A Europa tem ainda que se preocupar em criar situações de acesso a infra-estruturas alternativas e por isso está a insistir na liberalização do lacete local”, sublinha.

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