Têm entre 10 e 20 anos e as tecnologias são parte integrante da sua vida, para se divertirem, comunicar e também para trabalhar. No 20º Congresso a APDC trouxe ao palco os nativos digitais, não como figurantes mas como criativos e produtores de conteúdos multimédia, apresentando vídeos sem censura e sem intermediação, respondendo a uma proposta da associação a várias escolas.

Os digital natives e o crowd sourcing centraram as apresentações e o debate que contou com Florence Devouard, da Wikimedia Foundation, António Dias Figueiredo, Professor da Universidade de Coimbra, Luís Pinto, gestor da iniciativa Magalhães na JP Sá Couto, e ainda Rui Dias Alves, CEO da Return on Ideas. Ficou patente a necessidade de repensar também aqui estratégias de ensino, mas também o enquadramento profissional futuro destes jovens.

Florence Devouard, da Wikimedia Foundation, explicou a filosofia por detrás da Wikipédia, os ideais e a história da enciclopédia colaborativa que actualmente abrange 260 línguas e 16,7 milhões de artigos publicados.

As vantagens de manter a Wikipedia aberta - e não apenas grátis - e os problemas que pode envolver estiveram no centro da apresentação, até porque a filosofia da fundação não é descobrir tudo o que os utilizadores podem fazer de mal e limitá-los, porque desta forma também se impede os utilizadores de fazer coisas boas, justificou a responsável da Wikipédia, que traçou também o perfil do editor comum da enciclopédia: um jovem entre os 16 e 25 anos, do sexo masculino, com alguma educação e sem filhos.

O retrato, como a própria notou, encaixa-se no perfil de alguns dos jovens que a APDC trouxe à segunda sessão do Congresso, os nativos digitais, que já nasceram no mundo das tecnologias e Internet. Mas maior detalhe foi dado por Rui Dias Alves, CEO da Return on Ideias, suportado por entrevistas e focus groups realizados com as turmas dos jovens que participaram.

A dinâmica de fruição associada às tecnologias, os ritmos distintos dos adultos e os estímulos que os motivam, foram identificados, mas também o reconhecimento da diferença entre qualidade e produtividade, admitindo que a Internet tem limites.

Rui Dias Alves salientou ainda que para estes jovens a grande conquista é estar conectado a cada momento, numa experiência eminentemente social.

A análise foi também feita por António Dias Figueiredo, Professor da Universidade de Coimbra, que lembrou que quando esta geração chegar ao mundo de trabalho as tecnologias já mudaram muito e por isso vão ter de aprender a gerir o caos. Porque o mundo é implacável e os jovens enfrentam cenários de maior precarização do trabalho e são os adultos actuais que têm de cuidar do seu futuro.

Na aprendizagem há também novos desafios, porque têm de ser criadas novas formas de transmissão de conceitos.

Focado no projecto Magalhães e no Ensino, Luís Pinto acredita que mais do que um Restart se deve falar de um reborn em relação aos jovens, que desafiam os professores e educadores numa nova realidade a que a empresa JP Sá Couto já começa a assistir em mais de 60 países onde acompanhou aulas. Até porque os modelos de aprendizagem estão a mudar, apostando menos na memorização e em novas formas de sentir emoção, refere o gestor do projecto Magalhães.

Escolas são fábricas de conteúdos digitais

Encerrando a sessão, João Trocado da Mata, secretário de Estado da Educação, fez um balanço do Plano Tecnológico da Educação e da evolução deste projecto de ligação e equipamento das escolas, sublinhando porém que o Governo nunca viu esta questão como um fim em si.

O objectivo foi sempre o de transformar o plano num meio para promover a inovação e a produção de conteúdos e, actualmente, "com as condições existentes, as escolas transformam-se numa enorme fábrica de conteúdos digitais", um potencial que tem de ser explorado, lembrou.

À procura de uma escola inclusiva, que seja um veículo de mobilidade social ascendente e a principal instância da redução das desigualdades sociais, o secretário de Estado realçou ainda o papel fundamental dos professores no processo de apropriação das tecnologias. "Os professores são os principais distribuidores de conhecimento", afirmou, explicando que estes não devem competir com os alunos na destreza e manipulação das ferramentas, porque são produtores de sentido, traduzindo a informação em conhecimento.

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