A reunião de Bucareste, Roménia, do grupo que controla o sistema de nomes de domínios da Internet que termina hoje teve o seu momento alto justamente esta sexta-feira, com a aprovação unânime pelo Internet Corporation for Assigned Names and Numbers (ICANN) de uma resolução que determina a exclusão de utilizadores comuns da Rede das Redes do seu conselho de direcção, informou a Reuters.



Esta aprovação representa assim o ponto final de uma das questões mais polémicas no desenvolvimento deste organismo criado em 1998 pelo governo dos Estados Unidos. Contudo, alguns críticos afirmam que a decisão levará a que os interesses dos grandes poderes controlem o mundo online.



Este novo sistema, que constitui uma mudança radical em relação ao passado, abole a eleição online de utilizadores individuais da Internet para o conselho executivo do ICANN composto por 19 membros, passando este a ser constituído por representantes de organizações técnicas, empresariais, governamentais e não-lucrativas.



O conselho executivo passa a deter a última palavra em relação a futuras questões políticas relacionadas com o sistema de nomes de domínio da Internet. Enquanto entidade não-lucrativa, o ICANN controla o processo de atribuição de nomes de domínio com sufixos como ".com" a empresas e indivíduos.



Stuart Lynn, director executivo do ICANN, afirmou que a votação representava um passo importante para o órgão e que iria demonstrar aos legisladores que o ICANN pretende realmente renovar-se. Por outro lado, o organismo foi também criticado por ser bastante influenciado por grupos norte-americanos.



Alguns membros do ICANN colocaram em causa esta mudança, como foi o caso da sul-coreana Youn Jung Park, membro do grupo de detentores de nomes de domínio não-comerciais, que apelidou a decisão de excluir a comunidade de utilizadores da Internet no seu todo de "uma evolução insatisfatória".



O ICANN também sugeriu uma taxa de 25 cêntimos de dólar para todos os novos registos de nomes de domínio de formar a aumentar o seu orçamento, mas houve quem designasse o novo sistema de financiamento e a abolição das eleições online como um caso de "cobrança sem representação".



Lynn rejeitou estas críticas, argumentando que os utilizadores individuais da Internet iriam ser representados por vários elementos do conselho, como políticos e grupos comunitários.



O conselho executivo também tentou refutar uma crítica colocada ao ICANN desde a sua criação, isto é, a percepção de que os membros norte-americanos possuem uma influência desproporcionada, favorecendo os interesse políticos e empresariais dos Estados Unidos.



Os elementos do quadro de direcção disseram que um ICANN renovado irá trabalhar no sentido de incluir sugestões de regiões menos desenvolvidas na utilização da Internet, como África e Médio Oriente.



Numa votação separada, o ICANN aprovou a introdução de um período de graça de 30 dias, com vista a ceder aos actuais proprietários de nomes de domínios mais tempo adicional para renovar os seus contratos de forma a evitar que os nomes de domínio caem nas mãos de especuladores.



Espera-se que seja aprovada mais para o final do Verão uma medida separada no sentido de se introduzir uma "fila de espera" para os nomes de domínio mais pretendidos


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