Nos últimos anos Tim Berners-Lee tem feito uma cruzada que pretende “arranjar” o que está errado na Internet, com as falhas de segurança e privacidade na primeira linha das preocupações, numa lista onde se juntam as fake news, a limitação de privacidade e muitos outros tópicos. Hoje durante a sua participação no Web Summit 2020, o criador da World Wide Web, muitas vezes apontado como o pai da internet moderna, defendeu que o nível de recolha de dados dos utilizadores quando navegam online é assustador e é preciso deixar que os utilizadores retomem o controlo, numa “nova web”.

A fundação que dirige, a World Wide Web Foundation, definiu uma espécie de acordo transversal, o “Contrato para a Web”, que Tim Berners-Lee apresentou no ano passado no Web Summit e que já conta com mais de 1000 parcerias, mas a conclusão é que as palavras não são suficientes.

Por isso mesmo Tim Berners-Lee avançou com a propostas de um protocolo e uma plataforma, a Solid, que deverá dar ao utilizador o controle ativo dos seus dados, e da forma como os partilha.

O Web Summit 2020 já abriu as portas virtuais. Para além das conferências há hipótese de "mingle"
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O pai da WWW defende que os utilizadores não têm de ser especialistas em privacidade para se protegerem e têm de estar em controle, mas que “não se pode deixar de usar a web e começara a usar a nova web”. A mudança tem de ser gradual e a implementação do Solid está a ser promovida pela Inrupt, a startup que criou para este objetivo.

John Bruce, responsável pela Inrupt, diz que nunca tinha percebido o impacto e abrangência do tema antes de falar com Tim Berners-Lee. “Tim descreveu uma Web que eu não tinha experimentado”, afirmou, dizendo que nas suas conversas com as empresas estas admitem que recolhem dados porque “é assim que se faz” e que muitas vezes não precisam deles.

A tecnologia Solid está baseada em especificações abertas e pretende ser também facilitadora da interoperabilidade de dados em várias plataformas diferentes. A confiança e segurança são as palavras chave, permitindo aos utilizadores confiar nas orgabizações, ao mesmo tempo que as organizações podem criar valor, defende John Bruce.

Um dos exemplos usados é o do NHS, o sistema de saúde do Reino Unido, o governo da Flandres e a BBC são algumas das empresas que já aderiram ao sistema mas a ideia é torná-lo mais exigente.

“Sinto-me frustrado porque se tivéssemos já 2 ou 3 anos de Solid, com milhões de utilizadores, podíamos ter avançado com essa base nas soluções para endereçar a COVID-19”, afirmou Tim Berners-Lee, mantendo porém a sua expectativa de que a plataforma ajude a desenvolver um sistema mas democrático e eficiente no futuro.

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