Em 2018 o caso da Cambridge Analytica teve um grande impacto no Facebook e desde então a empresa de Mark Zuckerberg tem vindo a apostar numa investigação sobre developers de aplicações. Agora, numa publicação no blog oficial, a rede social vem anunciar que após esse escândalo suspendeu "dezenas de milhares" de aplicações por usos indevidos e manipulação incorreta de dados, num universo de milhões. Mas a investigação interna está “longe de terminar”.

Desde março de 2018 e o famoso caso que veio a público sobre os 87 milhões de utilizadores que viram os seus dados "vasculhados” por terceiros, a empresa que detém também plataformas como o WhatsApp e o Instagram prometeu que ia rever todas as aplicações anteriores a uma alteração de políticas em 2014 e que tinham acesso a uma grande quantidade de dados. Na altura, Marck Zuckerberg garantiu que a plataforma tinha o dever de proteger os utilizadores.

Essa investigação envolveu centenas de pessoas, desde advogados, investigadores externos, analistas de dados, engenheiros, especialistas em política e outros membros parceiros da empresa, bem como colaboradores do Facebook. A análise "ajuda a compreender os padrões de abuso, a fim de erradicar os developers com más intenções”, pode ler-se na publicação.

Inicialmente, a empresa identificou as aplicações com base no número de utilizadores e dos dados a que os developers podiam aceder. Mais recentemente, a empresa passou a identificar também aplicações com potenciais sinais de abuso de políticas. Quando identificados esses possíveis sinais, a empresa realizou um "exame" mais intensivo, que inclui uma investigação do developer da aplicação na plataforma. Dependendo dos vários resultados podem ser tomadas várias medidas, exigindo, por exemplo, que os developers enviem perguntas mais detalhadas, realizem investigações ou que banam uma aplicação da plataforma.

Para Mark Zuckerberg o futuro do Facebook está na privacidade dos seus utilizadores
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Mas o Facebook esclarece que este “processo significativo” não terminou. Até ao momento a investigação analisou milhões de apps e dessas dezenas de milhares foram suspensas por vários motivos. As suspensões estão relacionadas com cerca de 400 developers, mas que não representam “necessariamente uma indicação de que essas aplicações representam uma ameaça para as pessoas".

Como explica a empresa, muitas dessas aplicações estavam inativas e, em muitos casos, os developers não responderam ao pedido da plataforma por isso acabaram por ver as apps suspensas. Em alguns casos, ainda que de forma menos comum, o Facebook baniu de forma completa algumas apps. Porque razões? Para exemplificar a rede social faz referência a uma partilha de dados obtidos através da rede social de forma inapropriada, disponibilizando-os publicamente sem proteger a identidade dos utilizadores ou por qualquer outra razão que viole claramente as políticas.

Neste sentido, a empresa destaca alguns exemplos em que já foram tomadas medidas concretas. Em maio, o Facebook lançou um processo a uma empresa sul coreana de análise de dados, a Rankwave, e a outras duas empresas de developers,  LionMobi e JediMobi.

Uma investigação longe do fim, garante o Facebook

Apesar do detalhe, o Facebook afirma estar longe de ter acabado. A empresa definiu novas regras para um controlo mais rígido em relação ao acesso dos developers aos dados, pelo que sempre que identificar apps com “pouca utilidade” para os utilizadores, como quizzes sobre a personalidade, podem não ser permitidos na rede social. As aplicações passam a não poder solicitar os dados de uma pessoa, a menos que o developer os utilize para melhorar significativamente a qualidade da experiência dos utilizadores. E devem “demonstrar claramente aos utilizadores de que forma é que os dados iriam ser usados para melhorar a experiência de utilização”. “Não vamos permitir que as apps do Facebook solicitem uma quantidade desproporcional de informações dos utilizadores relativamente ao valor que acrescentam”.

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O Facebook adiantou ainda que o novo contrato com a FTC irá trazer o seu próprio conjunto de requisitos para levar a supervisão aos developers de aplicações, requerendo que certifiquem anualmente a conformidade com as políticas da rede social. “Qualquer developer que não atender a esses requisitos vai ser responsabilizado”, escreve o Facebook. A empresa garante que os developers continuam a ser uma "parte vital do ecossistema do Facebook". No entanto, "as pessoas precisam de saber que estamos a proteger a sua privacidade", pode ler-se na publicação.

E, de uma maneira geral, o Facebook considera que está a progredir neste sentido. O objetivo passa agora por identificar problemas para que a plataforma os possa resolver rapidamente, garantindo que as pessoas "continuam a desfrutar das experiências sociais envolventes do Facebook, sabendo que os seus dados vão permanecer seguros".

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