Depois de Google e Microsoft terem integrado funcionalidades de inteligência artificial (IA) nos seus browsers, Chrome e Edge, a Mozilla seguiu o mesmo caminho no Firefox, adicionando ferramentas como a tradução automática (na versão 118), acesso rápido a chatbots (na versão 130) e ao agrupamento de separadores com IA (na versão 141). No entanto, a decisão foi recebida com uma certa resistência por parte de uma fatia significativa dos utilizadores, que acusaram a empresa de impor funcionalidades não solicitadas.
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Com a chegada do novo CEO, Anthony Enzor-DeMeo, assistiu-se a uma mudança de estratégia, com o mesmo a afirmar que a empresa deverá continuar a apostar nas funcionalidades de IA, mas que as mesmas devem ser opcionais para os utilizadores. Com esta afirmação, o executivo deu luz verde aos desenvolvedores de criar uma solução simples e eficaz, um simples botão que permite desligar todas as funcionalidades de IA, tanto as atuais como as que vierem a ser implementadas. Esta função será disponibilizada já na futura versão 148 do Firefox, que será lançado a 24 de fevereiro.
Ajit Varma, responsável pelo Firefox, explicou no blogue oficial que a empresa tem recebido um feedback muito diverso. "Ouvimos muitas pessoas que não querem nada com IA. Mas também ouvimos outras que querem usar ferramentas de IA genuinamente úteis. Ouvir a nossa comunidade, juntamente com o nosso compromisso contínuo de oferecer uma opção de escolha levou-nos a construir a nova secção de controlo de IA", afirmou.
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Esse botão faz parte de um novo painel de controlo permite aos utilizadores gerir individualmente as funcionalidades IA existentes. Estamos a falar nas traduções automáticas, na criação de texto alternativo em PDFs que adiciona descrições às imagens, o agrupamento de separadores com IA, pré-visualizações de links que mostram pontos-chave antes de abrir um endereço, e um chatbot de IA na barra lateral que permite usar assistentes como Claude, ChatGPT, Copilot, Gemini e o Le Chat.
Para quem prefere simplesmente não ter qualquer contacto com a IA, existe agora a opção de "Bloquear as melhorias de IA". Quando ligado o bloqueio, o utilizador deixa de ver pop-ups ou lembretes sobre as funcionalidades existentes (ou futuras) baseadas em IA. As preferências definidas mantêm-se inalteradas através das actualizações do navegador, podendo ser alteradas a qualquer momento, mas só por intervenção do utilizador.
A decisão marca uma mudança de abordagem face ao caminho seguido por outros gigantes tecnológicos, que têm integrado a IA nos seus produtos de forma mais agressiva e com menos opções de exclusão. "Acreditamos que a escolha é mais importante do que nunca, à medida que a IA se torna parte das experiências de navegação das pessoas", afirmou Ajit Varma. "O que nos importa é dar às pessoas controlo, independentemente do que sintam em relação à IA."
A Mozilla volta a posicionar-se, mais uma vez, como uma alternativa para utilizadores que valorizam o controlo sobre as suas ferramentas digitais, numa altura em que a integração forçada de IA se tornou uma das principais queixas dos consumidores de tecnologia. Os controlos de IA estarão disponíveis primeiro na versão de pré-lançamento “Nightly”, antes do lançamento oficial da versão 148 do Firefox.
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