Ver um jogo de futebol pela televisão é como travar um monólogo com uma companhia mal disposta, que só responde quando quer. A minha emissão é igual à de qualquer outro espectador, mesmo que eu goste mais do Cristiano Ronaldo e o vizinho do lado prefira o Bernardo Silva.

Há uma startup portuguesa que tem vindo a trabalhar numa solução de realidade aumentada para personalizar a experiência de quem vê um evento desportivo à distância, ajudando a mudar esta realidade, com benefício para o espectador e para as marcas. O espectador ganha conteúdos personalizados em tempo real, como estatísticas de jogo ou dados sobre a performance de cada jogador. Para as marcas a plataforma de realidade aumentada da FootAR é uma nova oportunidade para chegar mais perto dos fãs e um novo canal para rentabilizar publicidade.

A FootAR é uma startup da Madeira e é de lá que David Olim e Baltasar Sousa, os dois fundadores, continuam a desenvolver o projeto e a preparar um 2024 muito aguardado, ou não fossem as parcerias já fechadas e as boas notícias com que encerram 2023. A empresa acaba de ser distinguida na primeira edição dos prémios SME Europe Awards, pelo seu papel inovador no sector das Realidades Imersivas.

A plataforma que dá vida à empresa está em fase de finalização - pode ver a demo aqui - e pronta para pilotos em ambiente real. Ainda sem poder revelar mais detalhes, David Olim, CEO, já adianta ao SAPO TeK que um dos pilotos do FootAR vai acontecer no Euro 2024, que terá uma cobertura inédita a partir de estádios virtuais animados pela tecnologia da startup madeirense.

Já no arranque do ano, a FootAR terá oportunidade de testar, pela primeira vez em “campo aberto”, a interação dos fãs de futebol com a solução que tem vindo a desenvolver. Uma parceria com o Sporting Clube de Braga, ligada ao Global Sports Innovation Center da Microsoft, com quem a startup tem vindo também a trabalhar, vai abrir aos adeptos do clube a possibilidade de acompanharem os primeiros jogos do ano de forma diferente.

David Olim explica que este piloto põe em prática o trabalho de afinação do produto que a startup desenvolveu ao longo dos últimos 12 meses. Vai permitir que o acesso aos conteúdos adicionais que a FootAR leva ao espectador de um jogo, deixe de estar condicionado à utilização da app criada pela empresa.

Via app, o utilizador tem de fazer oito cliques até chegar ao estádio virtual, onde pode ter acesso aos conteúdos. Neste caso vai poder chegar ao estádio virtual da FootAR só com um clique, porque o acesso é feito a partir do próprio browser. “O clube partilha um link no seu ecossistema e o utilizador que está no Facebook ou no LinkedIN carrega na ligação e tem acesso imediato ao estádio virtual”, exemplifica David Olim.

“Vamos oferecer aos fãs de desporto em geral, mas em particular aos fãs do Braga, a hipótese de seguirem, através de realidade aumentada, as principais iniciativas do seu clube e serem premiados por isso”. O piloto deve ir para o ar nos dias 6, 10 e 14 de janeiro.

Por esta via, os adeptos vão ter acesso a informação em tempo real durante um jogo, como estatísticas exclusivas, mas também a outros conteúdos, antes e depois de jogos. No que se refere às estatísticas de jogos, por exemplo, o utilizador não vai ver só informação sobre quantas vezes um jogador remata, mas também sobre qual a probabilidade de cada remate resultar em golo. Durante um jogo será também possível ver quem está a jogar bem ou mal, através de cores. Os adeptos podem ser recompensados pela interação com a app, com merchandising oficial do clube e, depois do jogo, podem aceder aos melhores momentos, com vídeos que ficam disponíveis mal acaba a partida.

Internacionalização dá prioridade ao Reino Unido e ao Brasil

A FootAR tem já traçado um plano de internacionalização, que dá prioridade aos mercados do Reino Unido e do Brasil, onde a tecnologia desenvolvida pela empresa deve voltar a ir ao encontro dos fãs de futebol, mas não só. O objetivo também é fornecer o mesmo tipo de conteúdo e experiência para outros desportos e os seguintes podem ser a Fórmula 1 e o ténis.

A plataforma foi construída de raiz para poder adaptar-se a outras áreas, porque a lógica será a mesma: “enaltecer a experiência ao vivo criando elementos 3D ou digitais, que a complementam”, explica o empreendedor, pondo a tónica na personalização do conteúdo como principal diferenciador da solução da FootAR.

“O utilizador normal de um sistema de broadcast só pode ver aquilo que o jogo lhe dá, através de um sinal que é único para toda a gente, e que não devolve feedback porque não sabe do que o utilizador gostou. Nós conseguimos coletar informação e personalizá-la em função do que é relevante”, destaca David Olim.

“Essa customização, em função do que o utilizador gosta, é o nosso diferenciador” e é o que vai permitir que diferentes clientes sejam expostos a diferentes conteúdos durante a experiência, consoante as preferências que vão demonstrando enquanto navegam.

A FootAr conta desde 2022 com um investimento da Portugal Ventures, que criou suporte para aumentar a equipa para 10 colaboradores. Já esteve em vários aceleradores internacionais e conta agora também com a parceria com a Microsoft, que está a ajudar a preparar a internacionalização da empresa.

A distinção europeia recente nos SME Europe Awards, uma iniciativa conjunta da Comissão Europeia e do Parlamento Europeu, assinalou a capacidade e a determinação da startup para vencer os desafios da insularidade e manter o foco no desenvolvimento de produtos digitais para diferentes mercados internacionais, nomeadamente europeus.

David Olim garante que o projeto português é inovador a nível mundial, embora refira que existem outras duas startups a trabalhar na mesma área, em França e nos Estados Unidos. Tal como a FootAR estão ainda a dar os primeiros passos nos testes da plataforma em ambiente real.

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