França tem sido um dos mais activos países europeus nas críticas aos projectos da Google. Desde que a empresa americana anunciou planos para criar a maior biblioteca digital do mundo, com o Google Books, que França, através dos seus mais altos dirigentes, tem insistido na ideia da Europa ripostar ao projecto.

A principal preocupação demonstrada pelos responsáveis tem sido a de garantir que as línguas alternativas ao inglês também garantam espaço de relevo na Internet, sobretudo a herança histórica e cultural dos países e que o projecto da Google não crie uma espécie de hegemonia anglo-saxónica.

Em conjunto, a Europa tem procurado responder a este desafio através da Biblioteca Digital Europeia, a Europeana, mas França acaba de apresentar um relatório com detalhes sobre um projecto unilateral que também pretende desenvolver com o mesmo objectivo de assegurar a representatividade da sua língua na Internet e a Google pode vir a ser parceira da iniciativa.

O ministro francês da cultura admitiu que a Google pode ser o veículo para impulsionar a presença do espólio francês na Internet, através de um projecto designado por Gallic, que por agora tem acesso restrito a profissionais.

Pelo Gallic, coordenado pela Biblioteca Nacional francesa, tem passado boa parte do esforço de digitalização de livros e outros documentos que França tem vindo a realizar e que, de acordo com dados revelados anteriormente, já mereceu um investimento de 750 milhões de euros.

Globalmente este projecto conta com perto de um milhão de documentos digitalizados, mas no âmbito de uma parceria publico-privada o Governo pretende torná-lo um competidor do Google Books, que reúne actualmente cerca de 10 milhões de livros digitalizados.

O Gallic será a base de um novo portal a partir do qual nascerá o candidato a concorrente do Google Books, baseado num modelo idealizado num estudo financiado pelo Governo e apresentado ontem.

As negociações com a Google e outros players podem surgir no sentido de partilhar custos na dispendiosa tarefa de digitalização dos livros, de forma a aumentar o espólio disponível, mas segundo o ministro da cultura francês, apenas se a empresa norte-americana aceitar "jogar pelas regras francesas", disse numa conferência de imprensa.

Um acordo com a Google poderia também visar a troca de livros digitalizados pela Google - a maior parte em universidades americanas - por livros e documentos em francês, já digitalizados no âmbito do projecto Gallic.

Os autores franceses visados pelas digitalizações terão o poder de decisão relativamente à porção do livro que fica disponível online. Se o utilizador quiser ter acesso ao restante é encaminhado para uma loja online, explica o responsável pelo estudo citado pela Associated Press. A exploração comercial desta Biblioteca Digital vai ser assegurada por publicidade.

Numa entrevista ao Le Monde o ministro francês da cultura criticou ainda as condições em que muitas empresas ou entidades europeias aceitaram negociar com a Google, sobretudo no que se refere à exclusividade dos acordos anunciados.

Frederic Mitterrand, que pretende visitar em breve os escritórios da Google nos Estados Unidos, assegurou ainda que França negociará com a empresa norte-americana sempre numa base aberta e de não exclusividade de acesso aos conteúdos.

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