A 22 de junho, Donald Trump assinou uma nova ordem executiva que quer suspender temporariamente os vistos de trabalho de quase 525 mil trabalhadores estrangeiros. Caso seja aprovada como lei, a medida poderá ter um forte impacto nas empresas tecnológicas americanas e gigantes como a Alphabet, a Amazon, o Twitter e o Facebook já se manifestaram contra a decisão do presidente norte-americano.

De acordo com a ordem executiva, o objetivo é proibir a entrada de imigrantes com os vistos H-2B, H-4, J-1, L-1 e H-1B até ao fim de 2020. O documento indica que a administração Trump quer “proteger os trabalhadores norte-americanos” que ficaram desempregados devido à pandemia de COVID-19 e surge uma semana após ter sido chumbada a tentativa do presidente de encerrar o DREAM Act, o programa de protecção de jovens imigrantes.

Os vistos H-1B, em especial, são aplicados a pessoas altamente qualificadas e que são recrutadas, por exemplo, por empresas tecnológicas. As gigantes norte-americanas do sector dependem do recrutamento internacional para preencher as suas vagas.

No Twitter, Sundar Pichai, CEO da Alphabet e da Google, sublinhou que a imigração tem “contribuído imensamente o sucesso económico dos Estados Unidos”, tornando o país num líder do sector tecnológico e a Google na empresa de sucesso que é hoje.

O responsável afirma ainda que está desapontado com a ordem executiva e que a empresa continuará a apoiar os imigrantes e a disponibilizar oportunidades para todas as pessoas. Em linha com Sundar Pichai, Susan Wojcicki, diretora executiva do YouTube, manifestou também o seu apoio aos imigrantes, lembrando a história do seu pai que imigrou para os Estados Unidos.

A Dylan Bryers, jornalista da NBC News, um porta-voz do Facebook indicou que a ordem executiva de Donald Trump quer “usar a pandemia de COVID-19 como justificação para limitar a imigração”. A empresa afirma que a decisão de manter imigrantes altamente qualificadas fora dos Estados Unidos vai tornar ainda mais difícil o processo de recuperação do país. As pessoas em questão são para o Facebook um ponto central na aceleração da inovação, declarando que “isso é algo que deve ser encorajado e não restringido”.

Em declarações à imprensa internacional, um porta-voz da Amazon sublinhou também que o valor das pessoas altamente qualificadas que chegam de outros países é fundamental e limitar a entrada dos profissionais e impedir que contribuam para a recuperação económica do país vai colocar a competitividade norte-americana em risco.

Já no Twitter, Brad Smith, chefe do Conselho de Administração da Microsoft ecoou os apelos dos responsáveis das gigantes tecnológicas, lembrando ainda que, agora não é o momento para limitar o acesso aos Estados Unidos ao “talento mundial” ou para “gerar incerteza e ansiedade”.

À imprensa internacional, Jessica Herrera-Flanigan, vice-presidente do departamento de políticas públicas e filantropia do Twitter, afirmou que a ordem executiva assinada por Donald Trump vem “minar o maior bem da economia norte-americana: a sua diversidade”. “Sufocar unilateralmente e de forma desnecessária a atratividade do mercado dos Estados Unidos e impor limites a uma mão-de-obra global e altamente qualificada é imprudente e será profundamente prejudicial à estabilidade económica do país”, declarou a responsável.

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