A Comissão Europeia multou a Google em 4,34 mil milhões de euros, considerada uma das maiores coimas de sempre. Em causa estavam práticas ilegais da concorrência na União Europeia para solidificar o domínio no mercado de pesquisas internacionais. A Comissária Europeia, Margrethe Vestager deu 90 dias para a gigante tecnológica terminar a prática ou enfrentar o pagamento de mais penalizações.

A Google não se fez esperar e reagiu de imediato à decisão e valor da coima. Numa mensagem, o CEO da empresa Sundar Pichai, refere que “Se compra um smartphone Android, está a escolher uma das duas plataformas mobile mais populares do mundo - aquela que fez mais para expandir a escolha de telemóveis disponíveis em todo o mundo.” Destacando que a decisão ignora o facto de que o Android também concorre com os smartphones iPS, da Apple, confirmados por 89% dos entrevistados do estudo de mercado da Comissão confirmaram.

Sundar Pichai defende que a decisão interpreta mal a amplitude de escolha que o Android oferece aos milhares de fabricantes de smartphones e operadoras de redes móveis que também produzem e vendem os dispositivos Android. Também salienta os milhões de programadores de aplicações de todo o mundo que criaram negócios assentes na plataforma Android e os milhares de milhões de consumidores que atualmente podem pagar e utilizar os dispositivos da marca com tecnologia de ponta.

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A fabricante destaca que graças ao Android, os consumidores têm cerca de 24 mil equipamentos à escolha, de 1.300 marcas distintas a diversos preços, em vários países, desde franceses, alemães, holandeses ou polacos, entre outros. “Os telefones produzidos por estas empresas são todos diferentes, mas todos têm uma coisa em comum - a capacidade de correrem as mesmas aplicações. Isto é possível graças a regras simples que garantem uma compatibilidade técnica, independentemente do tamanho ou forma do dispositivo”, salientou o CEO da Google.

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Por outro lado, a empresa refere que nenhuma fabricante de telemóveis é obrigada a aceitar as regras, podendo usar e modificar o Android da forma como desejarem, dando o exemplo do que a Amazon fez com os seus tablets Fire e Fire TV.

Refere ainda que graças à introdução do Android nos smartphones, qualquer dispositivo típico vem pré-carregado com cerca de 40 aplicações de diferentes programadores, e não apenas da empresa a quem comprou o telemóvel, neste caso a Google. Explica ainda que qualquer pessoa pode trocar de navegadores de internet ou motores de pesquisa por aquelas que estão pré-carregadas, podendo ser desativadas ou excluídas facilmente se assim for desejado, “incluindo as aplicações desenvolvidas por alguns dos 1,6 milhões de europeus que ganham a vida como programadores de aplicações.”

Segundo a Google, um utilizador típico de equipamentos Android irá, por sua vontade, instalar cerca de 50 aplicações. Só no ano passado foram descarregadas mais de 94 mil milhões de apps em todo o mundo da Google Play, e no que diz respeito a browsers de navegação na internet, como o Opera Mini e Firefox, foram feitos downloads mais de 100 milhões de vezes. Apenas o UC Browser foi “sacado” mais de 500 milhões de vezes.

O CEO da Google virou as baterias à Comissão Europeia, referindo que a sua decisão sobre o Android ignora a nova amplitude de escolhas e as evidências sobre como as pessoas utilizam os seus telefones na atualidade. Em comparação com a realidade existente nos anos 1990 e inícios de 2000, a chamada era da linha telefónica, a fabricante menciona que nessa altura sim era muito difícil alterar as aplicações pré-instaladas nos computadores, e adicionar novas apps eram tecnicamente difíceis e morosas.

Continuando o seu discurso, Sundar Pichai salienta a decisão da empresa ter disponibilizado o Android gratuitamente quando foi lançado em 2007 aos fabricantes de telemóveis e operadores de redes móveis. “É claro que há custos envolvidos no desenvolvimento do Android, e a Google investiu milhares de milhões de dólares na última década para tornar o Android na plataforma que é hoje. Este investimento faz sentido para nós porque podemos oferecer aos fabricantes de telemóveis a opção de pré-instalarem um conjunto de aplicações populares da Google (como a Pesquisa, o Chrome, o Play, os Mapas e o Gmail), das quais algumas geram receitas para nós, e todas ajudam a garantir que o telefone simplesmente funciona assim que sai da caixa.”

Segundo a empresa, nada impede que os fabricantes possam também pré-instalar as aplicações concorrentes com as suas. E nesse sentido, a Google apenas gera receitas se as pessoas optarem por utilizar as suas apps.

Para terminar, o líder da tecnológica deixa o aviso de que a decisão hoje tomada pela Comissão Europeia poderá comprometer o equilíbrio cuidadoso que a Google atingiu com o Android, e seja um sinal preocupante em prol dos sistemas proprietários face às plataformas abertas. Mesmo considerando que o Android seja um ecossistema saudável e próspero, do interesse de todos, a Google sempre se manifestou flexível para fazer alterações. No entanto, se até agora o modelo de negócio adotado para o Android dispensou a cobrança de taxas aos fabricantes pela sua tecnologia, isso poderá ser eventualmente mudado no futuro.

“A decisão de hoje rejeita o modelo de negócio que o suporta. O Android criou mais escolhas para todos, não menos. Tencionamos recorrer.”, rematou o líder da Google.

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