O eGovernment é um excelente princípio da "webização" do Estado, mas a acção plena só acontecerá quando os funcionários públicos adquirirem as "e-competências" e os diferentes Ministérios adoptarem o eLearning e o bLearning como estratégia básica de formação, defende um grupo de trabalho da APDSI num conjunto de recomendações que vai endereçar ao Governo português com base no estudo "O 'e' que aprende", apresentado recentemente.



Nesta área específica, o grupo de trabalho considera que será necessário criar primeiro equipas multidisciplinares sector a sector, "coordenadas por pedagogos e constituídas por formadores experientes, web designers e programadores, antes de lançarem os concursos públicos, para evitar (...) os cadernos de encargos inconsequentes, com contradições metodológicas, que demonstram não haver nos seus promotores o saber mínimo para coordenar, avaliar e seleccionar as propostas que recebem", refere no documento.



A Educação, a Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, o Trabalho e Solidariedade Social, a Justiça e a Saúde são apresentados como os "Ministérios prioritários", salvaguardando-se que o Ministério da Saúde deve voltar a valorizar a componente da telemedicina, "na tentativa de recuperar os milhares de euros gastos nesta área, sem que tivesse havido efeitos práticos", critica o grupo de trabalho da APDSI.



O conjunto de recomendações resultantes do estudo, que se desenvolveu durante os últimos dois anos e que se apresenta essencialmente como um "auxiliar prático" para quem pretenda vir a disponibilizar conteúdos formativos e competências à distância, segundo explicou Guilherme Collares Pereira, coordenador do grupo de trabalho, na sessão pública de apresentação do mesmo, reserva a maior parte da atenção ao sector da educação.



Relatvamente aos professores, aconselha-se a formação e a certificação de competências em TICs, "premiando o seu esforço em função dos resultados alcançados nas provas de conhecimentos/desempenho, dando-lhes acesso a carreiras mais rápidas e com direito de opção a lugares em escolas à sua escolha".



Fica igualmente a sugestão de desenvolvimento para o ensino básico e secundário de uma política de incentivo à aquisição e utilização sistemática de computadores e Internet pelos professores na sua prática lectiva, que poderia passar por um programa lançado pelo Ministério da Educação, envolvendo medidas como a criação de um núcleo de professores voluntários a quem seria distribuído gratuitamente todo o equipamento necessário para que cada um deles formasse, no prazo de um ano, um grupo de pelo menos 10 outros professores e implementasse uma comunidade virtual para a sua área disciplinar.



Sugere-se também que o mesmo Ministério desenvolva iniciativas de incentivo à produção de conteúdos para a área do eLearning, que poderão passar, por exemplo, pela criação de um site que disponibilize objectos criados pelos professores a título gratuito, mas que por outro lado "reembolse" os mesmos com uma determinada quantia por cada download de um conteúdo da sua autoria.



No conjunto de 12 recomendações que vai endereçar ao Governo e à Assembleia da República, o grupo de estudo da APSDSI para o eLearning menciona ainda a problemática dos standards, onde aconselha à definição de um sub-conjunto mínimo da norma SCORM "que faça sentido e tenha utilidade no nosso contexto", refere-se.



"Com o resultado do nosso trabalho queremos gerar sinergias e quem sabe boas práticas", referiu Guilherme Collares Pereira, acrescentando que ao invés de um resumo quantitativo, se pretendeu acima de tudo conceber um trabalho em que se disponibilizassem perspectivas várias sobre a temática do eLearning, "apresentando pistas e sugestões".



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