O Irão pode estar mais perto de criar aquilo que é descrito como uma "Internet nacional", destinada a substituir o acesso à World Wide Web no país.

A possibilidade terá sido avançada em Fevereiro, na sequência dos protestos pela democracia que agitaram alguns países do Médio Oriente e norte de África e que levaram os governantes apertar os mecanismos de controlo dos conteúdos a que os habitantes do país têm acesso online.

O assunto volta agora à agenda com as declarações recentes do responsável pela pasta da Economia, que mostram que as autoridades governamentais não desistiram da ideia.

De acordo com o Wall Street Journal, que cita informações publicadas na imprensa local, esta "Internet alternativa" funcionaria - pelo menos numa fase inicial - de forma paralela àquela a que temos acesso, substituindo a utilização da rede global nos lares do Irão. Bancos, órgãos governamentais e grandes empresas continuariam a ter acesso à Internet "normal".

A Internet local será "uma verdadeira rede "halal", destinada a muçulmanos ao nível da ética e da moral", afirmou Ali Aghamohammadi, citado pela imprensa, que explica ainda que "halal" significa conforme com a lei islâmica.

Eventualmente, esta rede poderia mesmo vir a substituir na íntegra o acesso à WWW no Irão e estender-se a outros países islâmicos, equacionou o responsável.

Em Fevereiro, o director do instituto de investigação a cargo do ministério das telecomunicações tinha dito a uma agência de notícias local que, "em breve", 60 por cento dos lares e empresas do país estariam a usar a nova interna e que em dois anos esta seria alargada a todo o país.

Observadores internacionais vêem a medida como uma forma de o Governo acabar com as dificuldades em controlar a Internet, mas as autoridades promovem o projecto como uma medida que permitirá aos utilizadores reduzirem custos e uma forma de defender a moral islâmica, relata o jornal.

O representante da missão iraniana nas Nações Unidas, contactado pela mesma fonte, recusou-se a comentar os planos, afirmando apenas que o assunto era "uma questão técnica relativa ao progresso científico do país".

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