A Comissão Europeia divulgou hoje as conclusões do seu relatório sobre a competitividade digital, que ajudará a definir medidas específicas a propor no âmbito da Agenda Digital para a Europa.

Oferecer uma banda larga de débito mais elevado (e uma "Internet em que as pessoas confiem"), melhorar os níveis de competência dos cidadãos e estimular ainda mais a inovação nas TIC, são alguns dos caminhos apontados pelo relatório - numa altura em que 6 a 10 europeus já usam a rede regularmente.

De acordo com o documento agora publicado, "a economia digital da Europa está a crescer vigorosamente, disseminando-se por todos os sectores de actividade", com "as tecnologias da informação e comunicação (TIC) a impulsionarem metade do crescimento da produtividade na Europa ao longo dos últimos 15 anos".

"A economia digital da Europa é vital para o crescimento económico e prosperidade. As TIC e a Internet de débito elevado são tão revolucionárias hoje (…) como há mais de um século o foi o desenvolvimento das redes de electricidade e de transporte", defende a Comissária Neelie Kroes, responsável pela Agenda Digital, que reforça a necessidade de investimento.

O relatório agora divulgado analisa novidades recentes no domínio das TIC e apresenta "razões consistentes para a concepção de uma Agenda Digital para a Europa", lê-se no comunicado à imprensa.

Entre as principais razões apresentadas está o retorno económico do investimento nas TIC. Desde 1995 que as TIC impulsionam metade dos ganhos de produtividade na UE, com o progresso tecnológico e os investimentos no sector.

O valor acrescentado do sector na economia europeia é de cerca de 600 mil milhões de euros (4,8% do PIB) e o sector justifica 25 por cento dos investimentos comerciais totais em I&D na UE. Mas estes valores ainda ficam aquém dos registados nos EUA, pelo que a Europa necessita de "reformas estruturais e de uma agenda digital coerente, para desencadear impactos semelhantes", defendem os responsáveis.

Segundo os dados da Comissão, cerca de 60 por cento da população europeia já usa a Internet regularmente e 48 por cento diariamente. As percentagens aproximam-se das dos Estados Unidos, onde 56 por cento usam diariamente e 65 por cento usaram-na nos últimos três meses. Ainda assim cerca de um terço dos habitantes, tanto da Europa (30%) como dos EUA (32%), nunca usaram a rede.

As diferenças socioeconómicas e geográficas ajudam a explicar que um terço da população europeia nunca tenha tido acesso à Internet, com especial incidência entre os idosos, os menos instruídos ou aqueles que auferem baixos rendimentos e que, consequentemente, têm níveis de competência inferiores no que às TIC concerne. São esses níveis de competências que é necessário aumentar para "construir uma sociedade digital europeia", defendem os responsáveis.

Mesmo com estas assimetrias, a Europa assume-se como o maior mercado de banda larga do mundo, revalidando o título em 2009. Um quarto dos cidadãos (24,8%) têm banda larga fixa, 80 por cento dos quais com débitos superiores a 2 Mbps.

Apesar disso, só 18 por cento das ligações excedem os 10 Mbps, o que embora "suficiente para aplicações básicas de Web (…) não chega para aplicações mais avançadas, como a televisão a pedido", afirmam os responsáveis europeus, que estabeleceram como uma das metas para a estratégia Europa 2020 o acesso a Internet de 30 Mbps ou mais para todos os europeus.

No relatório é ainda realçado o potencial da Internet como potenciador de um reforço do mercado único, nomeadamente no campo do comércio e negócios por via electrónica, que não se encontra devidamente explorado. Actualmente varia de Estado-Membro para Estado-Membro, sendo as transacções transfronteiras limitadas, numa altura em embora 54 por cento dos internautas compram e vendam online, apenas 22 por cento o fazem entre Estados-membros. A título de comparação é referida a adesão generalizada nos EUA, onde 75 por cento fazem transacções por esta via.

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