É preciso aumentar a literacia digital para que a Sociedade da Informação e o negócio electrónico se possam desenvolver. A ideia foi defendida de forma unânime na primeira sessão da conferência Economia Digital, promovida pela ACEPI e a UMIC no âmbito da Portugal Internet Week 2010.



Mas o fosso digital faz-se em três áreas diferentes, e não apenas no acesso à Internet e aos computadores, a que se soma a falta de competências, alerta Roberto Carneiro. O presidente do Instituto de Formação à distância da Universidade Católica Portuguesa alerta porém para o facto dos professores resistentes serem um dos elementos que pode agravar o fosso digital, ao resistirem na utilização das tecnologias da informação, limitando assim o acesso aos seus alunos.



A falta de formação avançada de TI, as chamadas e-Skills, é igualmente preocupante e Roberto Carneiro salienta alguns sinais de alarme que se notam na Europa, como o facto de 47% das empresas de TI terem dificuldade de recrutar nesta área e de o número de alunos em cursos tecnológicos continuar a diminuir.



"Até 2015 estima-se que estejam em falta 384 mil profissionais nesta área, por isso temos de nos focar em atrair talentos", sublinha Roberto Carneiro.



Luis Magalhães, presidente da UMIC, já tinha salientado a questão das competências e da literacia digital como uma das questões a que Portugal deve estar atento. "Temos dois países em termos de competências: há uma elite que se bate ao mais elevado nível mundial, mas também um número muito grande de pessoas com baixos níveis de qualificação (sem instrução secundária) com baixo nível de utilização, o que corresponde a uma situação polarizada", explica.



É preciso adaptar perspectivas multidimensionais nas competências digitais, procurando cobrir as competências básicas e competências avançadas, muitas vezes na fronteira do conhecimento nesta área.



Luís Magalhães adiantou que em Portugal se endereça esta área com sete dimensões diferentes, referindo as competências elementares asseguradas aos alunos do ensino básico para garantir um primeiro nível de literacia digital, mas que é complementado com a formação junto de adultos a nível formal educativo, nas empresas e na formação profissional e certificação em politécnicos. No extremo mais elevado está a formação avançada, com os mestrados executivos, em que Portugal foi pioneiro adoptando os cursos do MIT e do Carnegie Mellon.

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