Olho por olho, dente por dente. Os responsáveis pela publicação Wired decidiram retaliar os leitores ao bom estilo da lei de talião: se não estão dispostos a ver a publicidade que é a fonte de receita do site, então também não podem aceder aos artigos da publicação.

“Nas semanas seguintes vamos restringir o acesso aos artigos da Wired.com se estiver a usar um bloqueado de anúncios”, escreveu a redação do site especializado em tecnologia no início da semana.

“Sabemos que vem ao nosso site em primeiro lugar para ler os nossos conteúdos, mas é importante deixar claro que é a publicidade que mantém a Wired ativa: pagando aos escritores, aos editores, aos designers, aos engenheiros e a toda a restante equipa que trabalha para criar as histórias que aqui vê e lê”, acrescentou a publicação.

No caso da Wired existem duas alternativas para que o utilizador com ad blocker possa continuar a aceder na íntegra aos artigos da publicação: colocar o site na lista de acessos permitidos do ad blocker, o que dará acesso a uma versão do site não com todos, mas com alguns anúncios; em alternativa pedem um dólar por semana para o acesso a uma experiência sem anúncios.

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Mas a Wired é apenas o mais recente exemplo de publicações online que estão a lutar contra o uso de ad blockers por parte dos utilizadores. O The Guardian, a Forbes, a CBS, a GQ e até o eBay são sites que de alguma forma estão a desencorajar os seus utilizadores no uso de bloqueadores de publicidade.

Uma reportagem do final de janeiro da Bloomberg deu um exemplo de como as práticas das publicações contra os ad blockers podem ter efeitos. A Forbes passou a mostrar aos utilizadores com bloqueadores uma mensagem onde pede a desativação da ferramenta, encaminhando os leitores para uma versão do site com menos anúncios. Dois milhões de pessoas viram a mensagem e 42% decidiram desligar os bloqueadores. Resultado: 15 milhões de cliques em anúncios que de outra forma teriam sido ignorados.

Recorda-se que até a Google Portugal já tinha partilhado algumas reservas relativamente ao crescimento dos ad blockers. "Há uma preocupação inerente. Isto não é um problema só da Google, é dos publishers e da Internet. Se não houver possibilidade de passar os anúncios, isso afeta sistemicamente o mercado", defendeu em setembro do ano passado Frederico Costa, da Google Portugal.

Um estudo de 2015 criado pela Adobe e pela PageFair calculou que as perdas desse ano causadas por ad blockers ascendiam a 22 mil milhões de dólares.

A verdade é que os bloqueadores de anúncios estão a ganhar popularidade entre os utilizadores por permitirem uma navegação mais limpa, rápida e fluída na Internet. A 'moda' também pegou nos dispositivos móveis sobretudo depois de a Apple ter aberto a AppStore a este segmento de aplicações.

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