Um estudo realizado com a colaboração de seis empresas identificou um conjunto de seis áreas nas quais o Estado pode poupar mais de 11 mil milhões de euros (mais exatamente 12,5 mil milhões, embora o nome do estudo tenha mantido a referência aos 11 mil milhões numa analogia com o número de portugueses) em três anos, com o apoio das tecnologias. As conclusões foram hoje divulgadas no Congresso da APDC.

A aplicação de medidas de análise avançadas para um melhor controlo orçamental e para a redução da fraude surge como a área onde o Estado pode conseguir maior nível de poupanças, com a aplicação de um conjunto de iniciativas. O estudo defende que podem ser poupados nesta área 9 mil milhões de euros. As medidas em questão visam permitir uma maior previsibilidade das questões orçamentais, uma determinação que também é da troika.

No estudo "11 Mil Milhões de Razões (para Alcançar as Metas de Redução do Défice Definidas com a Troika)" preconizam-se medidas nesta área em três campos fundamentais, que permitiriam poupar 6 mil milhões de euros na área fiscal, 2 mil milhões de euros no domínio da segurança social e mil milhões na saúde.

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Consolidar sistemas de infraestruturas TI para aumentar eficiência e reduzir custos é uma proposta que também integra a lista de seis medidas. As sugestões nesta área visam uma poupança de mil milhões de euros, que passa pela aposta em serviços na nuvem.

O Estado terá gastos anuais de 445 milhões de euros com as infraestruturas TI existentes, um custo que pode reduzir-se em 20 ou 30 por cento, defende o documento. As áreas onde os benefícios podem ser mais expressivos são a consolidação de infraestruturas ou a virtualizações, com reduções de custos estimadas de 87 ou 70 por cento, respetivamente.

A implementação de uma solução de gestão integrada do património do Estado para melhor retorno dos investimentos é outra sugestão. Pode potenciar poupanças de mil milhões de euros, de acordo com o estudo. O Estado gere atualmente 40 milhões de metros quadrados, o que cria um conjunto de desafios ao nível do consumo energético, por exemplo.

Mover atividades de suporte não críticas para ambientes e serviços partilhados, eliminando gastos redundantes, é também uma das medidas propostas. Neste caso com uma estimativa de poupança de 600 milhões de euros.

Juntam-se ao leque mais duas: a interoperabilidade (com impactos estudados sobretudo na área da saúde) e a desmaterialização de processos, para poupar em arquivos físicos e nos custos associados à manutenção e gestão. A primeira pode gerar poupanças de 576 milhões de euros e a segunda de 380 milhões de euros.

O estudo português inspira-se num estudo americano, realizado por iniciativa de um conjunto de empresas do sector, que apresentaram à administração Obama sugestões para provar que as TIC podiam ter um papel central na recuperação da economia americana.

A iniciativa portuguesa tem objetivos idênticos e, como explicou Francisco Maria Balsemão da APDC, que apresentou as principais conclusões do documento, seria, na opinião dos autores, um bom referencial para balizar projetos apoiados no âmbito do Programa Operacional dos Fatores de Competitividade, do COMPETE.

Participaram no estudo "11 Mil Milhões de Razões (para Alcançar as Metas de Redução do Défice Definidas com a Troika)" a Novabase, a Cisco, a IBM, a Logica, a HP e a Accenture.

Todas as empresas admitiram que para chegar às poupanças estimadas é preciso o Estado investir - numas áreas mais do que noutras - mas nenhum dos seus responsáveis quis quantificar valores.

Escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

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