Os alunos que hoje saem das universidades à procura do primeiro emprego têm expectativas diferentes e procuram um equilíbrio diferente entre vida social e vida profissional. Mas as escolas que os formam continuam a ter um longo caminho a percorrer na aproximação às empresas e às necessidades que hoje marcam o ritmo do mercado de trabalho.

Na 25ª edição do Congresso das Comunicações, o tema da educação para o emprego juntou no mesmo palco responsáveis de empresas, um professor e uma recem-licenciada para partilharem ideias sobre o tema.

Luís Paulo Salvado, CEO da Novabase, reconheceu que a chamada geração Y não se move pelos mesmos estímulos que as gerações anteriores. Está disposta para trabalhar fora de horas, mas entende que “a vida profissional não tem sempre de se sobrepor à vida pessoal e isso não está errado”, defendeu reconhecendo que isso exige uma adaptação das empresas a essa realidade.

Da mesma forma, o CEO da Novabase defende que mais do que a previsibilidade de uma ascensão na carreira, que há uns anos motivava quem entrava numa empresa, hoje valores como a identificação com o projeto tornaram-se a grande motivação para vestir a camisola, e isso também obriga as empresas a fazerem mudanças e a tentar ir ao encontro disso.  

No que se refere às universidades, reconhece-se que há um esforço para adaptar os currículos às necessidades do mercado de trabalho, com alguns resultados já visíveis, mas o salto da academia para as empresas continua a ser grande e desconhecido para muitos alunos, que têm muitas dúvidas sobre o que vão encontrar quando saírem da faculdade, reconheceu João Claro, diretor do programa CMU Portugal.

Luís Salvado defendeu que para dar escala à mudança que já começou a acontecer nas escolas é necessária uma reforma do sistema académico, que redefina o papel das universidades e as reposicione nesse sentido. As alterações ao sistema de financiamento do ensino superior são vistas pelo gestor como um passo nesse sentido.

Até lá verifica-se que a perceção das instituições não combina com a das empresas, nem mesmo com a dos alunos no que se refere ao nível de preparação dos alunos que formam para entrar no mercado de trabalho.

Duarte Begonha, partner da Mckinsey, partilhou na sessão alguns resultados de um estudo realizado recentemente, onde se revela que 80% das universidades inquiridas consideram que preparam bem os seus alunos para o mercado de trabalho. A mesma perceção só se verifica para 30% dos alunos, mostra a pesquisa realizada com base em oito mil entrevistas.