No início do próximo ano a solução desenvolvida pela startup portuguesa vai ser testada nos Estados Unidos com o NeuroTexas Institute, uma experiência que irá envolver 100 doentes que sofreram um ataque cardíaco.

O dispensador inteligente de medicamentos e a plataforma de software, que funciona através de uma aplicação móvel, permite registar informação proveniente de qualquer dispositivo inteligente, vão ajudar a monitorizar a recuperação destes doentes durante um ano.

O projeto vem concretizar os esforços feitos pela startup portuguesa no longo do último ano para entrar no mercado norte-americano. Tira partido de uma parceria com a UTEN, que ajudou a preparar o terreno, e pode ser o primeiro passo para um contrato de grande dimensão, já que o NeuroTexas Institute faz parte do grupo St. Davids Healthcare, detentor da maior rede de hospitais privados dos Estados Unidos.

O mercado norte-americano é o grande foco da Line Health. O plano que ficou conhecido como ObamaCare está a transformar o sistema de saúde norte-americano e a pressionar um maior envolvimento de doentes e prestadores na eficácia dos tratamentos.

Isso inclui a disponibilização de ferramentas que permitam monitorizar o cumprimento dos tratamentos prescritos – medir a tensão arterial, indicadores de atividade física, ou outros – e a Line Health posiciona-se como uma solução para responder a este tipo de necessidade. No piloto que realizará no próximo ano com o NeuroTexas, por exemplo, o objetivo é que a solução ajude a diminuir as readmissões nos hospitais num prazo de 30 dias.

Fornece alertas para a toma de medicamentos e outras indicações médicas, ao mesmo tempo que regista e compila informação e a partilha com os médicos na unidade de saúde, integrando com o software do hospital ou da farmácia. O software tem a particularidade de poder ser ajustado às necessidades de diferentes tipos de tratamentos.

A lógica de funcionamento do mercado norte-americano na área da saúde tem poucas semelhanças com o modelo europeu e mesmo dentro da Europa Sofia Simões de Almeida, COO da startup, admite que há divergências, mas garante que a tendência de colocar cada vez mais o doente no centro da equação, levando a prestação de cuidados de saúde para fora dos hospitais é universal.

 

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A necessidade de ferramentas que possam dar ao doente um papel mais ativo na gestão dos cuidados de saúde de que necessita, garantindo a ligação às unidades de saúde fez a Line Health rever o foco do negócio. E aquilo que começou por ser uma solução direcionada ao consumidor final (uma caixa para medicamentos + uma aplicação), evoluiu para uma solução mais completa, pensada para o mercado B2B. A patente (para o dispensador inteligente) está a caminho.   

Na Europa a startup conseguiu entretanto uma parceria com a Bayer e em Portugal já fez outro teste com uma farmacêutica internacional, a Abbvie. Da ligação à Bayer resultou um teste de tecnologia, que aconteceu entre abril e maio deste ano e as duas empresas estão agora a fazer um teste à entrada no mercado, revelou Sofia Almeida em declarações ao TeK. O trabalho vai ajudar a identificar o melhor posicionamento para o lançamento da solução na Europa, que será feito de forma conjunta pelas duas empresas.

Em Portugal, a Line Health – que conta atualmente com uma equipa de oito pessoas -  mantém a sede e o centro de desenvolvimento e admite que existem contactos com grupos de saúde que podem resultar na comercialização da solução, mas ainda não adianta detalhes.  

Quem quiser experimentar a aplicação da Line Health pode fazê-lo, deixando um pedido no site da empresa. A startup mantém um grupo de 200 utilizadores da app, que a ajudam a recolher feedback do produto e a afinar desenvolvimentos. Quer aumentar o grupo e para isso dá acesso gratuito à app.

 

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Cristina A. Ferreira

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