A investigação focou-se na utilização pelo Estado de software para Sistemas de Informação Geográfica e concluiu que só nesta área os serviços públicos investiram 24 milhões de euros "quando no mercado existem soluções alternativas de Software Livre a custo (praticamente) zero", sublinha um comunicado de imprensa.



José Gomes dos Santos, professor do mestrado em TIG (Tecnologias de Informação Geográfica), explica em declarações ao TeK que em 2012 alterou os conteúdos programáticos da sua cadeira, para acomodar uma transição do software proprietário utilizado pela Universidade nesta área para software livre. Garante que a transição não representou custos para a faculdade, mas admite que foi assim porque assumiu responsabilidade por todas as alterações e configurações necessárias.



O mesmo professor lançou aos alunos do mestrado o desafio de perceberem quanto gasta o Estado em software proprietário. A análise tinha como principal objetivo avaliar custos na área dos SIG, mas também contabilizou os custos com software noutras áreas, como a do software de produtividade, e apurou gastos de 113 milhões de euros, entre 2008 e 2013. Os números foram consultados nas plataformas de acesso público de divulgação dos contratos realizados pelo Estado, como o base.gov.pt.



Jorge Gomes dos Santos, admite que o trabalho não chegou a avançar para a avaliação das poupanças possíveis com a substituição do software proprietário por software livre, mas defende que estas podiam atingir milhões de euros. Acrescenta que no ensino essa transição era perfeitamente possível e de grande relevância para poupar custos.

O docente reconhece, no entanto, que o facto de alguns produtos de software de código aberto exigirem conhecimentos ao nível da programação cria exigências relacionadas com a formação e que existem outros custos associados à migração, ainda que o licenciamento dos produtos deixe de ser pago. Sustenta contudo que, pelo menos no caso do software SIG, "uma fração elevadíssima, na ordem dos 80%, é possível poupar".



No caso das poupanças obtidas pela Universidade de Coimbra na migração para software SIG de código aberto não é ainda possível obter um número, uma vez que na instituição continuam a coexistir produtos proprietários e de código aberto.



O estudo "Jangada de SIG na Administração Pública Portuguesa" será apresentado entre 11 e 13 de setembro nas Primeiras Jornadas Lusófonas de Ciências e Tecnologias de Informação Geográfica, que terão lugar na Universidade de Coimbra.

Escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

Cristina A. Ferreira

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