(Actualizada)
Numa altura em que o Plano Nacional de Compras Electrónicas do Governo começa a tomar forma, a Associação para a Promoção e Desenvolvimento da Sociedade da Informação (APDSI) apresentou hoje um estudo que pretende identificar as principais preocupações do mercado na área do eProcurement. De entre as conclusões alinhadas salienta-se o facto do estudo considerar benéfico que a Administração Pública force, dentro de alguns limites que venham a ser considerados, a negociação por via electrónica, considerando que muitas empresas já se encontram tecnologicamente preparadas.



Para justificar esta recomendação, o estudo cita o "Inquérito à Utilização das TICs nas Empresas 2002", realizado pela UMIC, onde se conclui que 72% das empresas têm ligação à Internet, 20% das quais através de banda larga, e que um quinto das empresas com ligação à Internet realiza algum tipo de comércio electrónico. Logo, o acesso à Internet não é um entrave para que as empresas portuguesas não possam participar nas compras electrónicas, sublinha o estudo.



Luís Amaral, responsável pelo estudo, salienta que esta sugestão se pode ler a dois níveis: pela necessidade das empresas estarem preparadas para negociarem em plataformas electrónicas - se querem ter uma relação de fornecedores com a Administração Pública - e pelos mecanismos que o Governo pode criar para incentivar as empresas a usarem estes meios para negociarem entre si. "O Estado pode ter aqui um espaço de intervenção que favoreça o eProcurement no sector privado", esclarece.



Transparência entre as principais preocupações


O trabalho agora apresentado, liderado por Luís Amaral, do Departamento de Sistemas de Informação da Universidade do Minho, enquadra-se nos projectos desenvolvidos pela APDSI durante o ano de 2003, auscultando entidades relacionadas com os processos de compras electrónicas em organismos da Administração Pública, empresas e também em Universidades.



O eProcurement da Administração Pública assumiu nesta análise uma especial relevância, dado que esta entidade como um todo é a maior compradora a nível nacional. Mas, o estudo abarca também as questões que se levantam na área das compras electrónicas a nível das empresas, definindo também modelos conceptuais possíveis de implementar.



Para lá da reflexão sobre a situação actual em Portugal, o estudo contou com a participação de mais de 30 pessoas que estão directamente envolvidas na área das compras electrónicas, desde entidade públicas e empresas de software até individualidades ligadas a universidades portuguesas. A aplicação do método Delphi no inquérito permitiu hierarquizar as preocupações destes intervenientes em relação ao eProcurement e às vantagens e desvantagens que este traz ao sistema de aquisições.



Curiosamente no topo das preocupações encontra-se a necessidade de garantir transparência nos processos de compra, o que segundo Luís Amaral é "fora do tempo". "Esta questão entristece-me enquanto Português porque mais uma vez é fora de tempo. Portugal já não devia estar preocupado com a transparência", justifica, adiantando que esperava sentir do lado dos inquiridos uma maior valorização da integração dos sistemas de eProcurement com o backoffice e da necessidade de redesenhar os processos de negócio.



Estas questões foram porém remetidas para quarto e quinto lugar, depois da garantia de transparência, implementação de um modelo de reengenharia do processo de compra para atingir poupanças nos custos e da harmonização dos procedimentos de compras.



Nota da Redacção: [2003-12-12 19:01:00] A notícia foi actualizada com a introdução de declarações de Luís Amaral detalhando a forma como a Administração Pública pode incentivar as empresas a utilizar o eProcurement.


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