O primeiro-ministro José Sócrates está hoje de visita à Finlândia, juntamente com uma comitiva de responsáveis ministeriais e empresariais. Com a viagem, de 24 horas, o chefe do Governo quer descobrir o que fez este país nórdico para, em poucos anos, se transformar num exemplo nas vertentes tecnológica e económica, recolhendo informação para aperfeiçoar o Plano Tecnológico nacional.



Na comitiva, José Sócrates leva os ministros da Economia e da Inovação, Manuel Pinho, e da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Mariano Gago. Além do secretário de Estado dos Assuntos Europeus, Fernando Neves, o coordenador do Plano Tecnológico, Carlos Zorrinho, o presidente da Associação Portuguesa de Investimentos, Basílio Horta, o presidente da Unidade de Missão de Investigação e Conhecimento (UMIC), Luís Magalhães, e o director executivo da COTEC, Rui Guimarães.



Do programa constam a visita a uma escola de primeiro ciclo, onde as tecnologias são amplamente utilizadas, e a passagem pela Fundação Nacional para a Investigação e Desenvolvimento, um organismo público finlandês responsável pela política de inovação. Está igualmente agendada a vista à fabricante de telemóveis Nokia, símbolo por excelência da economia daquele país.



O chefe do Governo português irá ainda encontrar-se com o primeiro-ministro e a presidente da República da Finlândia, respectivamente Matti Vanhanen e Tarja Halonen, com quem discutirá os principais temas em agenda na União Europeia, designadamente a preparação da cimeira de chefes de Estado e de Governo da Primavera, que decorrerá a 23 e 24 e a questão do Tratado Constitucional da UE.



O modelo finlandês

Segundo o sociólogo catalão Manuel Castells, citado pelo jornal Público, na edição desta segunda-feira, o segredo que permitiu à Finlândia transformar a prioridade dada à investigação científica e tecnológica na década de 90 num sistema de inovação, que hoje é um dos mais bem conseguidos do mundo, reside na relação entre os sectores público e privado e entre universidades e empresas.



O modelo de inovação finlandês assenta numa "política pública activa realizada por instituições bem estruturadas, num sistema universitário público gratuito e de alta qualidade e numa política de liberalização desregulação e privatização" diz Manuel Castells.



Na opinião de Sauli Feodorow, o embaixador finlandês em Lisboa, ouvido pela Rádio Renascença, Portugal não poderá importar o modelo finlandês, pois as diferenças entre os dois países dificultam a sua aplicação. "Os nossos países estão nos extremos da Europa e temos visões diferentes sobre os mesmos problemas. Em termos tecnológicos, penso que não podemos vender qualquer modelo finlandês, cabe-nos apenas dizer o que fizemos e o que pode ser inspirador nesse modelo", defende.



A visita de José Sócrates e da sua comitiva à Finlândia acontece no mesmo dia em que o Diário de Notícias publica os resultados de um estudo da Deloitte onde as empresas portuguesas se mostram pouco convencidas acerca das vantagens do Plano Tecnológico.


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