A Europa está demasiado centrada na Inovação tecnológica, defendeu hoje Gary Hamel, o guru da Gestão, numa conferência organizada em Lisboa pela Strategos e o Jornal de Negócios. Falando perante uma plateia constituida pelos principais decisores portugueses, o presidente da Strategos alinhou cinco lições a não esquecer para que as empresas se mantenham inovadoras.



Gary Hamel afirma que num mundo onde a mudança é cada vez mais acelerada, as empresas não estão a conseguir gerir a mudança. "Queremos construir empresas capazes de mudar", defende o guru norte-americano, explicando que esta aprendizagem poderá evitar que passem por processos difíceis de crise para se adaptarem à evolução do mercado.



Muitas indústrias não foram capazes de responder ao ritmo da mudança e estão a ficar cristalizadas, não evoluindo, justifica Gary Hamel, que aponta como exemplos a indústria da música e a farmacêutica. "A Inovação é a única forma de acompanhar a evolução", garante.



Definindo que o problema não está na qualidade, Gary Hamel aponta o investimento na imaginação e paixão de cada empregado como a forma de renovar, apoiando as ideias inovadoras geradas dentro da organização e atribuindo maior responsabilidade a cada um dos funcionários para que estes dêem mais do seu capital intelectual à empresa. "Não podemos desperdiçar o capital intelectual [...] temos de construir empresas mais 'humanas'", adianta.



Cinco pontos a não esquecer
As cinco lições apontadas pelo guru norte-americano mostram que normalmente o entrave à Inovação está na gestão de topo das empresas, que não abdica do seu monopólio de definição da estratégia; e que a geração de Ideias Inovadoras é também uma questão de números, sendo preciso gerar milhares de propostas para garantir um único produto de sucesso. Gary Hamel diz ainda que a Inovação não é um processo mágico, podendo ser ensinado aos funcionários das empresas; que para a empresa ser inovadora é preciso mudar o ADN da gestão, desafiando os princípios estabelecidos como dogmas; e que a única limitação está na criatividade gerada dentro das empresas e não nos seus recursos.



Gary Hamel extrapolou esta última lição para o caso de Portugal, garantindo que o desafio do país não passa pela dimensão mas pela "confiança em nós mesmos e no futuro". O mesmo diagnóstico estende-se à Europa, que foi o centro da maioria das grandes invenções nos últimos anos mas onde não se está a conseguir de forma efectiva inovar nas empresas.



"A Europa ainda vê a inovação como uma questão tecnológica e não de gestão", afirma o presidente da Strategos. "A tecnologia já não é o motor da inovação mas sim o espírito empreendedor e a capacidade de criar novas empresas", justifica.



O guru alerta porém para o facto da Europa não poder concentrar-se apenas no empreendedorismo, sendo igualmente necessário garantir que as grandes empresas se mantêm inovadoras. "Para substituir o número de postos de trabalho perdidos com o fecho de uma grande empresa é preciso criar muitas start ups", recorda Gary Hamel, defendendo que não é preciso replicar o modelo do Silicon Valey já que este existe nos Estados Unidos para compensar a falta de inovação das grandes empresas.

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