Estamos a assistir a uma nova era da exploração espacial e antecipam-se “grandes anos”. Em paralelo, há quem fale de “uma revolução industrial” e que coloque a tónica nos problemas que a “corrida” ao Espaço está a provocar, como o crescimento do lixo em órbita.

“O número de satélites está a aumentar exponencialmente e que é um problema porque o ‘código da estrada’ que seguimos não está definido e temos o crescimento do lixo espacial e o perigo das colisões iminentes para resolver”, sublinhou Jonathan McDowell, durante a sessão “Space: Where will we be in 2050” do Web Summit. O astrónomo do Harvard-Smithsonian Center for Astrophysics defende a definição de guidelines entre as nações para que seja estabelecido um compromisso internacional.

Peter Martinez, diretor executivo da Secure World Foundation concorda que a gestão do trafego espacial é um problema real que deve ser encarado globalmente. “Tem de começar a ser definido a nível nacional, com o desenvolvimento de boa práticas. As Nações Unidas podem vir a ser um bom fórum para socializar e promover este debate”.

Em 2050 onde estaremos?

E se o tema da sessão era o futuro do Espaço, não podiam faltar cenários possíveis. De momento há duas “forças” dominantes: a cooperativa e a comercial

Pode vir a acontecer algo ao género do que é retratado no filme 2001 - Odisseia no Espaço, de Kubrick, “que tinha a fantástica visão do destino da humanidade que se expande no sistema solar”, se o mundo continuar a apostar na cooperação governamental e o setor comercial, paralelamente, continua a prosperar, defende Peter Martinez.

Por outro lado, podemos vir a ter um cenário em que o setor comercial desenvolve muito rapidamente, mas a cooperação governamental não acompanha “e, em vez de uma visão ao género 2001” teremos um futuro mais tipo “Elysium”, em que o Espaço está cheio de oportunidades, mas só para alguns”.

Outro futuro possível passa pelas questões governamentais estarem resolvidas mas a humanidade não olhar para o Espaço como o seu destino, “termos uma humanidade mais ligada à Terra em que a exploração espacial não está muito mais desenvolvida do que hoje”.

Por último, continua a existir a hipótese em que as questões de governação não estão resolvidas e o confronto militar se alarga ao Espaço, gerando ainda mais problemas relacionados com a gestão do tráfego espacial e criando um futuro muito pouco atrativo para o investimento comercial.

“Pessoalmente, claro que gostava de ver emergir o cenário que reflita o filme 2001: é o mais otimista, inclusivo e menos dispendioso para a Humanidade. Mas não quer dizer que a visão do Espaço comercial seja má”, referiu Peter Martinez. “Penso que o melhor futuro possível será um em que a governação acompanhe o ritmo do espaço comercial. Temos de o construir”.

Jonathan McDowell afirmou não ter muito a acrescentar à questão. “2001” também é um dos meus filmes preferidos”, rematou.

Como se vende uma viagem ao Espaço? Partindo do princípio que é uma epifania

O Turismo espacial caberá mais num cenário ao género Elysium, mas as intervenientes da sessão “Space: The next frontier of experience design”, do Web Summit, centraram-se noutras questões.

Antecipa-se que, em breve, as viagens comerciais ao Espaço sejam uma realidade. Jane Poynter, CEO da Space Perspective e Lizzy Sonenfeld, sócia da agência criativa Two Things, têm uma visão única sobre o que isso pode oferecer à humanidade.

Ambas defenderam que ver a Terra do espaço é uma experiência transformadora e que para vender a ideia é preciso projetar uma jornada do cliente centrada no benefício emocional e humano que isso vai trazer.

“Desde as missões Apollo que sonhamos com a visão do espaço”. Agora está na altura do sonho se transformar em realidade, garantiu Jane Poynter. “Vamos dar às pessoas a experiência incrível que os astronautas falam”.

Lizzy Sonenfeld concorda. “Não se trata apenas de um voo para o Espaço: o produto que estamos a oferecer toda uma experiência emocional. É uma epifania”.

“Esta é uma experiência diferente: não há nada que se possa comparar atualmente”, considera Lizzy Sonenfeld

A campanha de voos da Space Perspective tem início previsto para o início de 2021, para testes do veículo Neptune, ainda sem a cápsula completamente pressurizada, mas em modelo de dimensão à escala. O primeiro voo de teste com um piloto acontecerá em redor de 2023 e os voos comerciais deverão começar no ano a seguir.

Os bilhetes vão estar à venda a partir do próximo ano. “O bilhete é o começo para aquilo que estamos realmente a oferecer: a epifania”, sublinhou Jane Poynter.

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