A União Europeia ainda não desistiu da ideia de avançar com um processo de concorrência desleal contra as fabricantes chinesas Huawei e ZTE. O caso está a causar agitação dentro dos círculos de decisão europeus e ao mesmo tempo pode abrir uma "ferida" nas relações comerciais que existem entre a Europa e a China.

A imprensa especializada escreve que o comissário europeu do comércio Karel De Gucht quer notificar nos próximas semanas as empresas pela prática de dumping - venda de produtos abaixo do preço de custo - e por violarem as regras da concorrência justa. Em causa estão os subsídios concedidos pelo governo chinês às tecnológicas que lhes permitem vender os produtos a um preço mais baixo do que as correspondentes europeias.

O porta-voz do ministério do Comércio chinês, Shen Danyang, mostrou-se desagradado com a hipótese de a UE avançar com um processo contra a Huawei e ZTE, alegando mesmo que muitos Estados-Membro estão em desacordo com a progressão do processo e que até elementos da indústria das telecomunicações não apoiam Karel De Gucht na iniciativa. "Esperamos que a União Europeia pare de fazer coisas que não fazem bem a nenhuma das partes", disse Shen Danyang, citado pelo ZDNet.

O representante chinês ainda contra-atacou, dizendo que as empresas de telecomunicações europeias têm uma quota de mercado maior na China do que as empresas chinesas têm na Europa.

A decisão de avançar contra as tecnológicas asiáticas só vai prosseguir, teoricamente, depois de as duas partes conversarem na tentativa de encontrar uma solução que agrade aos dois gigantes comerciais. O The Register escreve que alguns membros da União Europeia preferem avançar com uma notificação e acusação formal apenas quando uma empresa europeia apresentar queixa de práticas anticoncorrenciais.

Nem mesmo a Ericsson, empresa que teoricamente estará em maior prejuízo com as práticas comerciais da Huawei e ZTE, avançou com uma queixa.

Como o TeK já tinha escrito, o avançar da UE numa decisão unilateral pode abrir precedentes para mais conflitos económicos com a China, o segundo maior parceiro comercial da Europa, e pode deixar de ser visto como "mais um" caso de antistrust.


Escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

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