Os serviços financeiros e banca são um dos sectores mais avançado na transformação digital e a aposta na inovação e digitalização tem várias décadas, mas a evolução é obrigatória numa altura que a pressão de novos concorrentes, as fintech, ameaçam pôr em causa a rentabilidade. Os temas estiveram ontem em destaque na conferência Banking Summit, em Lisboa, onde um painel com a participação de cinco dos principais bancos a operar em Portugal deixou bem claras as preocupações.

O Santander Totta é um dos bancos que tem investido no digital com lançamentos de produtos de crédito e de pagamentos por canais digitais, e transformação de processos usando a inteligência artificial, mas não é o único, e também a Caixa Geral de Depósitos (CGD) segue o mesmo caminho.

Paulo Macedo, presidente da CGD, afirma que o banco CGD já está a usar inteligência artificial em algumas fases da concessão de crédito, nomeadamente na atribuição de ‘rating’ ao cliente. Mas isso ainda não se aplica no acompanhamento do comportamento e atividades dos clientes, como acontece com a Amazon, por exemplo.

Num outro painel também o BNP Paribas adiantou que com recurso a inteligência artificial e algoritmos de código aberto, consegue hoje, gerir documentos de clientes com maior eficiência. O banco tem uma ferramenta designada Named Entity Recognition, que reconhece e traduz automaticamente as entidades e termos financeiros e legais em documentos, e que reduzem os tempos de tradução e adaptação de documentos e contratos.

Mas a digitalização não se materializa apenas em oportunidades e o risco de perda de negócio esteve bastante presente nesta conferência. A diretora do Departamento de Supervisão Comportamental do Banco de Portugal, Lúcia Leitão, alertou para a necessidade de equilíbrio entre a digitalização e o contacto pessoal, e lembra que é necessário garantir que a digitalização da banca não exclui segmentos da população do acesso a produtos e serviços financeiros.

Do lado da banca os receios são de perda de negócio. “Se não conseguirmos acompanhar este processo com medidas de defesa da nossa rentabilidade em termos de futuro podemos vir a ter problemas na atividade bancária”, afirmou hoje Vieira Monteiro, presidente do Santander Totta.

A necessidade de regras harmonizadas entre os diferentes players, que obriguem os bancos mas também as novas fintech, é apontada como um elemento essencial para o equilíbrio do sector. Pablo Forero, presidente do BPI, explica que está otimista. “Se as regras são as mesmas os bancos vão saber utilizar as novas tecnologias em benefício dos clientes”, afirmou.

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