A administração da PT divulgou ontem à noite a sua posição sobre a OPA lançada pelo grupo de Belmiro de Azevedo sobre o capital do incumbente, apresentando uma contra-proposta que assenta num plano de remuneração accionista a três anos, onde o grupo se propõe a distribuir 3 mil milhões de euros pelos accionistas da companhia, praticamente o dobro do valor distribuído ao longo dos últimos três anos.



Ainda ontem, o grupo admitiu a hipótese de separar os negócios grossista e retalhista da rede fixa, criando uma empresa independente para o negócio grossista, mediante uma contrapartida regulatória e de vir a partilhar com outros operadores a rede móvel de telecomunicações.



O programa de remuneração, que está novamente a ser detalhado esta manhã num encontro de quadros e accionistas no Pavilhão Atlântico, propõe a distribuição de 2,66 euros por acção ente 2006 e 2008 e será posto no terreno se a OPA for recusada. Será veiculado através da distribuição de dividendos e de um novo programa de share buy back que arrancará nos 12 meses seguintes à recusa da Oferta Pública de Aquisição, caso seja aprovado por dois terços dos accionistas presentes na próxima Assembleia Geral do grupo agendada para 21 de Abril.



Para gerar capital o grupo promete uma gestão mais agressiva ao nível da redução de custos e geração de receita propondo-se a atingir (até 2008) poupanças anuais de 150 milhões de euros "através da simplificação operacional e de outras eficiências" e uma redução do capex, pela optimização do investimento em fundo maneio de 100 milhões de euros ano.



Ambas as medidas, espera a administração da PT, terão um impacto positivo entre os 3 e os 5 por cento no EBITDA do grupo e de 5 a 5,5 mil milhões euros no free cash flow operacional.



Oferta da Sonae subavalia PT

No comunicado enviado à CMVM a administração da PT "acredita que a oferta subavalia significativamente a empresa e, como tal, não promove o melhor interesse para os Accionistas da PT", razão pela qual é recomendado aos accionistas que "rejeitem a Oferta".



No mesmo documento a PT argumenta dizendo que a oferta da Sonae representa um prémio de apenas 5 por cento face ao à cotação de fecho da PT nas quatro semanas anteriores à OPA, ou de 16 por cento face ao valor de fecho no dia anterior ao lançamento da Oferta preliminar. O grupo considera ainda que o prémio está a menos de metade dos níveis verificados noutras operações internacionais comparáveis e que representa uma sub-avaliação do grupo de telecomunicações de até 2,6 mil milhões de euros.



O grupo mostra ainda dúvidas relativamente à capacidade de financiamento da Sonae para levar por diante a operação e lembra que o grupo de Belmiro de Azevedo anunciou um aumento de capital de 1,5 mil milhões de euros, quando o valor total da operação com a PT irá ascender aos 16,3 mil milhões, para frisar que o valor em falta será conseguido através do cash flow da PT.



O documento lembra ainda os entraves regulamentares à realização do negócio considerando que a sua realização levanta uma questão de concentração "sem precedentes", referindo-se ao mercado de voz em geral, fixa e móvel.



Boa parte dos argumentos apresentados no comunicado enviado à CMVM foram recuperados por Miguel Horta e Costa hoje no Pavilhão Atlântico. Neste evento o responsável frisou ainda que "a SonaeCom não divulgou a sua estratégia sobre a fusão e forneceu muito poucos detalhes sobre a oferta. Horta e Costa questiona também qual será a participação da France Telecom no negócio e a estratégia internacional do grupo nortenho.



Receitas melhoram 7% e lucros 4,9%


Para apresentar a sua resposta à OPA da Sonae a PT antecipou a apresentação de resultados para ontem revelando que em 2005 as receitas melhoraram 7 por cento e os lucros 4,9 por cento, para os 6,4 mil milhões de euros e 654 milhões de euros, respectivamente. O EBITDA melhorou 5,6 por cento para os 2,5 mil milhões de euros.



No negócio fixo o grupo terminou o ano com 4,478 milhões de clientes, num crescimento de 2,3 por cento. Destes 585 mil são clientes ADSL. No móvel o número de clientes também cresceu (5,1 por cento) para os 5,312 milhões.



A PT Multimédia, também visada por uma OPA da Sonae, obteve receitas de 627,4 milhões de euros, num crescimento de 4,9 por cento. Nesta unidade o grupo beneficiou de um aumento do ARPU na TV Cabo, gerado pela adesão ao serviço Funtastic Live. O principal activo da subsidiária terminou o ano com 1,497 milhões de clientes na televisão por cabo e 348 mil clientes na Internet, onde cresceu 14,1 por cento.



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