O IAPMEI e a Lisconsult apresentaram hoje alguns resultados obtidos através do projecto Benchmarking e Boas Práticas, que ao longo do ano passado foi aplicado a 390 empresas nacionais de diversos sectores de actividade e 14 organizações na áreas de tecnologias de informação.



O projecto foi financiado primeiro pelo POE e posteriormente pelo PRIME e tem como principal objectivo apurar indicadores das empresas em quatro áreas distintas, que permitam estabelecer comparações e definir melhorias a introduzir. Cada empresa participante contribui para aumentar uma base de dados de informação confidencial que compõe um índice de melhores práticas nacional e internacional, que actualmente agrega cerca de 200 empresas na área das TIs.



À margem do encontro Jorge Carrola Rodrigues da Lisconsult explicou ao TeK que uma das principais conclusões do trabalho realizado com as TIs nacionais participantes é que "o sector está em regra bem preparado para utilizar este tipo de ferramentas, face a outros sectores de actividade". Segundo o responsável são geralmente "empresas que não têm receio de se comparar, saber o seu estádio actual e o que devem melhorar", por oposição ao que muitas vezes encontramos em sectores tradicionais mais fechados.



A experiência da consultora revelou que as empresas na área das TIs são bastante receptivas às alterações sugeridas pela análise e solicitas no desenho de políticas que as aproximem das melhores práticas europeias.



As empresas que participaram no programa Benchmarking e Boas Práticas responderam a questionários relativos às áreas financeira; comercial; processos, organização e qualidade; recursos humanos e conhecimento. Em troca tiveram acesso aos dados que compõem o índice nacional e internacional nas diversas categorias analisadas e saber os valores médios europeus e os valores mais elevados.



Como aspectos menos positivos, Jorge Rodrigues detectou que muitas das empresas que aceitaram submeter-se ao programa não apuravam informação essencial ou mesmo obrigatória sobre a sua actividade. Da mesma forma a consultora considera que muitas das empresas têm um conhecimento deficiente do mercado, da sua concorrência e das necessidades dos seus clientes.



Os dados apurados revelam ainda que as estratégias de marketing e promoção das empresas deveriam ser mais abrangentes e menos dirigidas ao mercado local, por forma a conseguirem dar uma resposta mais adequada a um ambiente concorrencial cada vez mais competitivo.



A aplicação do programa às 14 empresas de TI, assim como a 360 outras empresas nacionais de áreas de actividade diversas, deu origem à criação de um índice que se irá manter e que o IAPMEI está empenhado em contribuir para que continue a crescer.



Contudo, o período de financiamento previsto para fornecer às empresas uma oportunidade de fazerem benchmarking com rivais nacionais e estrangeiros já terminou. Segundo o calendário, o projecto deveria ser subsidiado até ao final deste ano, mas os cortes orçamentais anteciparam num ano o seu final.



A Lisconsult é uma das duas entidades (juntamente com a ANETIE) que durante o período de financiamento forneceu apoio às empresas interessadas na execução do exercício de benchmarking, papel que continuará a desempenhar.



Jorge Rodrigues explica que a execução do programa é relativamente rápida. "O mais demorado na execução deste programa é o preenchimento dos questionários. Tipicamente as empresas demoram um mínimo de duas a quatro semanas para reunir todos os dados. Após esta fase demoramos uma semana a apurar resultados", adianta.



Quanto aos preços deste exercício de benchmarking Jorge Rodrigues não aponta um valor, mas explica que obrigará à dedicação de um consultor por um período de pelo menos cinco dias. Para o responsável, os benefícios que as empresas poderão tirar destes dados são bastante superiores ao investimento a realizar.



O IAPMEI promoveu a divulgação do projecto pan-europeu em Portugal apoiando a formação de consultores nacionais de benchmarking e acompanhando a adaptação dos formulários e índice à realidade nacional. O modelo português inspirou-se no índice inglês que conta com uma base de dados de 9 mil empresas, 200 das quais europeias e a operar nas área das TI.



Terminado o período de financiamento do projecto o IAPMEI admite levar a cabo algumas iniciativas que contribuam para a sua continuidade. Aqui podem incluir-se acções de reforço da base de dados nacional existente - através do recurso a dados do próprio IAPMEI ou à compra de informação - a continuação da aposta na divulgação, entre outras iniciativas que permitam a manutenção de uma base comparativa minimamente interessante para as empresas que optem por realizar o processo de benchmarking, adiantou Cecília Duarte do IAPMEI.



Segundo a mesma responsável este organismo deverá disponibilizar em Junho versões online de, pelo menos, um dos formulários que compõem o exercício para informação das empresas interessadas.



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