A Xerox afirmou ontem que irá tornar o seu famoso Centro de Investigação de Palo Alto (PARC) numa nova empresa independente - através de um spin off - até ao final do ano, no sentido de este se tornar numa empresa independente. Este anúncio vem no seguimento de uma promessa realizada no ano passado pela marca de impressoras em encontrar investidores externos de forma a manter em funcionamento o centro como um local de permanente inovação.



O objectivo fazia parte do plano de reestruturação apresentado pela companhia, nessa altura, no sentido de se centrar na sua área de negócio. A fabricante diz estar actualmente em conversações com vários potenciais parceiros. Ao tornar o PARC independente, a Xerox pretende alcançar parcerias estratégicas com outras companhias que lhe permitam tirar partido das inovações desenvolvidas pelo Centro, assegurando ao mesmo tempo a continuidade deste.



Simultaneamente, 40 dos 270 funcionários do PARC serão despedidos pela Xerox - o que representa uma redução de 15 por cento. Essa percentagem é ligeiramente superior à média da redução em 12 por cento verificada durante o ano passado nas outras divisões da Xerox.



Ao longo dos mais de 30 anos de existência do PARC, a Xerox tentou sem êxito gerar dinheiro a partir das várias invenções que tiveram origem nesse centro de investigação, sendo o anúncio de ontem o último passo para alterar a situação. O centro criou reputação de ser o local que ajudou a inventar o revolucionário computador pessoal, mas depois deixou-se atrasar, enquanto outras companhias geravam lucros com base nas suas inovações.



Entre a longa lista de equipamentos informáticos criados a partir de Palo Alto que fazem actualmente parte do quotidiano de qualquer utilizador está a versão comercial do rato, o interface gráfico de utilizador - que inspirou o Mac OS da Apple e o Windows da Microsoft -, a primeira impressora a laser, o padrão de redes Ethernet e um programa de processamento de texto baseado no modelo WYSIWYG - What You See is What You Get -, onde o texto e os gráficos aparecem no ecrã da mesma forma em que são impressos.



Alguns investidores em capital de risco demonstraram interesse em apostar no PARC em Outubro de 2000, quando a Xerox referiu pela primeira vez que estava à procura de investidores. Mas a fabricante de impressoras pretende que o Centro permaneça ligado a si, uma vez que a futura empresa será uma subsidiária Xerox. Por outro lado, os investidores interessados terão que investir em toda a empresa e não apenas nas partes de investigação que preferirem.



Mas os 40 ou 50 projectos do PARC actualmente activos - abrangendo àreas tão variadas como física, química, informática e ciências sociais - são demasiado genéricos para muitos investidores. O laboratório de Palo Alto, no Silicon Valley da Califórnia é um dos sete centros globais de investigação a que a Xerox atribui o seu orçamento de mil milhões de dólares (1,12 mil milhões de euros ou 225 milhões de contos) em investigação e desenvolvimento.



No comunicado divulgado, a Xerox afirma que quer manter o acesso à investigação e tecnologia desenvolvida no centro. Prevê-se que a nova empresa entre em funcionamento depois de 1 de Janeiro de 2002.


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