Os novos preços começaram a ser comunicados aos clientes em dezembro, com entrada em vigor a 1 de janeiro no caso da MEO e da NOS e 13 ou 18 de janeiro no caso da Vodafone, e o aumento médio aponta para perto dos 3%, como avançava na altura o Jornal de Negócios.

Uma análise mais minuciosa dos números revela porém diferenças significativas entre os vários tipos de serviços, e sobretudo nas ofertas em pacote, que juntam Internet, telefone e Televisão no chamado Triple Play (3P), Quadruple Play (4P) com telefone móvel e Quintuple Play (5P) com Internet móvel.

A DECO Proteste já fez as contas, avaliando os diferentes tarifários e propostas dos três principais operadores, e Tito Rodrigues, responsável pelas relações institucionais da associação de defesa do consumidor, adiantou ao TeK as principais conclusões da análise.

“Mais uma vez, como acontece desde 2009, temos um arranque do ano com aumento  de preços nas mensalidades de comunicações que se situam em média  nos 2,6%”, explica, detalhando que a lógica de aumento constante com valores acima da inflação prevista tem impacto na perda do poder de compra dos consumidores e não é justificada no nível de maturidade que o mercado português já atingiu neste sector.

Garantia de receitas seguras

A utilização crescente de ofertas em pacote, com serviços englobados, e a prática de fidelização e refidelização que é aplicada em qualquer mudança de serviço fazem com que os operadores gozem de “receitas seguras” em contraciclo com as tendências dos mercados maduros onde a diferenciação deveria ser o elemento determinante na definição de tarifários, sublinha Tito Rodrigues.

Segundo os cálculos da DECO Proteste, o aumento de mensalidades nas comunicações este ano vai situar-se nos 2,6%, em média, mas é sobretudo nos pacotes da MEO e da NOS que a subida de preços é mais notória. Na MEO o aumento é de 3,4% nos pacotes 4P e mais reduzido nos 3P, fixando-se nos 1,6%, enquanto a NOS aplica uma lógica mais homogénea de 2,9% a mais em ambos os casos.

A Vodafone foge à regra, não só porque aplica a alteração de preços só a partir de 13 de janeiro mas também porque mantém os valores dos pacotes inalterados, com variações reduzidas na Net e na Voz, refere o especialista da DECO Proteste.

Mesmo assim, considerando que a MEO e a NOS detêm mais de 80% do mercado, estes aumentos representam uma “perda de poder de compra para os consumidores sem grande justificação pelo nível de maturidade de mercado e pelos investimentos feitos”, o que acontece sob a alçada de “um regulador muito conivente” com os aumentos médios muito acima da inflação que se registaram nos últimos anos.

Nos tarifários móveis o aumento é maior

A DECO analisou ainda os novos preços aplicados aos diversos tarifários móveis, mas neste caso, dada a complexidade da oferta, optou por analisar o impacto num perfil de utilizador médio, regular mas não intensivo, com um pacote de 100 minutos, dentro da mesma rede, 100 SMS e 150 MB de dados, apurando neste caso um aumento em média de 4,3%.

Admitindo que é nesta área que se fixam o grosso das mexidas, também pelo interesse que os operadores têm em agregar os serviços em pacotes 3P, 4P e 5P, Tito Rodrigues acolhe ainda a nota de que este é um perfil conservador, que não se aplica a uma faixa cada vez maior de utilizadores de smartphone com consumo mais intensivo de dados e aplicações Over The Top (OTT), onde se incluem serviços como WhatsAPP, SnapChat ou serviços de música em streaming.

Na galeria abaixo estão replicas as tabelas com os novos preços das operadoras, que podem ser também consultados diretamente nos sites da MEO, NOS e Vodafone para os pacotes de TV Net Voz, com informação diferenciada para tarifários pré-pagos e pós-pagos. Nestes documentos pode validar qual o preço que vai ser aplicado no seu caso a partir deste mês.

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