A Sendo, fabricante britânica de telemóveis, instaurou um processo contra a Microsoft, alegando tentativa de roubo de conhecimentos técnicos e de tecnologia proprietária, depois de ter recentemente encerrado a sua relação com a gigante de software.

No início de Novembro, a Sendo cancelou o lançamento do seu smartphone z100 pouco tempo antes da data prevista para o seu lançamento. O z100 deveria ter sido um dos primeiros smartphones a incorporar software da Microsoft.

A fabricante britânica não adiantou nenhuma razão para essa decisão, mas pouco tempo depois juntava-se à Symbian, uma das principais concorrentes da Microsoft no mercado emergente dos sistemas operativos para smartphones.

A relação entre a Sendo e a sua accionista minoritária Microsoft foi conflituosa, com ambas as companhias a queixarem-se sobre a atitude da outra. Ao longo do último ano, executivos da Microsoft afirmaram a vários
responsáveis da indústria das telecomunicações que a Sendo se tinha mostrado
várias vezes céptica em relação ao software da empresa de Bill Gates,
concebido para repetir o sucesso da Microsoft no mercado do software
para computadores desktop.

A disputa entre as duas companhias atingiu o seu ponto máximo quando os primeiros produtos baseados na plataforma da gigante de software foram introduzidos. A direcção da Sendo considerava que certas funcionalidades especiais que tinha colocado no seu telemóvel sobre e por cima do sistema operativo comum da Microsoft tinham surgido em outros smartphones em
que a Microsoft estava envolvida.

Um telefone concorrente, designado Orange SPV, foi produzido pela High Tech Computer (HTC) da Formosa para operadora francesa de telecomunicações
móveis Orange. Esse modelo,
o primeiro smartphone a utilizar uma versão reduzida do Windows para
PCs desktop, foi lançado duas semanas após a Sendo ter decidido parar
de colaborar com a Microsoft.

Apesar de ser uma empresa com reduzida dimensão no mercado mundial, a Sendo era a parceira mais ambiciosa da Microsoft para a sua nova plataforma concebida
para smartphones. A companhia britânica tinha recebido encomendas e
planeava comercializar um milhão de unidades do z100 durante o primeiro ano.

Com um preço de cerca de 350 euros por unidade, o Sendo z100 teria sido entre 15 a 20 por cento mais caro que o Orange SPV da HTC, possuindo poucas funcionalidades únicas para justificar a diferença de custo. No âmbito do novo acordo entre a Symbian e a Nokia, a Sendo pode aceder ao código-fonte da Nokia e modificar o software, mas poderá demorar outros 12 meses até lançar um novo smartphone.

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