Depois de ter vendido mais de dois milhões de unidades do Pocket PC, a Microsoft decidiu renovar este seu sistema operativo para os denominados computadores de bolso e outros dispositivos móveis. Além do novo interface, o Pocket PC 2002, lançado oficialmento há pouco tempo (ver Notícias Relacionadas), propõe-se ser mais versátil e com mais funcionalidades, algumas das quais estão a ser criadas conjuntamente com outros parceiros.



A empresa de Bill Gates melhorou as aplicações da plataforma anterior, tendo apresentado opções de auto-configuração e investido na compatibilidade com os dispositivos baseados no sistema operativo da Palm, ao mesmo tempo que actualizou algumas funcionalidades com a integração do novo Windows Media Player 8.



Em Portugal, a Telecel Vodafone foi o primeiro operador de redes móveis português a anunciar a adopção da versão 2002 do novo sistema operativo da Microsoft, o qual será incorporado no seu conjunto de serviços para empresas. A razão desta adopção pioneira, enquanto os outros operadores poderão estar a considerar acção idêntica, prende-se essencialmente com o facto da Telecel Vodafone ter visto na plataforma algumas das aplicações que considera ideais para as empresas nas próximas gerações de redes móveis, segundo declarações de Lino Silva, um dos responsáveis pelo 3G Lab da Telecel Vodafone, em entrevista ao TeK.



Lino Silva falava nomeadamente de uma nova aplicação do Pocket PC que se denomina Terminal Services e que possibilita o acesso a informação confidencial através de uma rede virtual privada (VPN). "Quando daqui a uns meses lançarmos os serviços queremos que o acesso a aplicações da empresa esteja disponível desde o primeiro momento", afirmou Lino Silva. "O Terminal Services é aquilo que me vai permitir ligar ao servidor da 'minha' empresa, ao meu desktop pessoal na empresa e permitir-me ver exactamente aquilo que vejo a partir do meu ambiente de trabalho".



Inicialmente, os PDAs não vão poder mostrar um desktop por inteiro porque o seu ecrã de tamanho reduzido não lho permite e ainda não existe uma solução adaptada. Um factor com pouca importância para Lino Silva pois segundo lembra "só costumamos abrir uma aplicação de cada vez, movendo-nos de um lado para o outro quando necessário".



A formatação dos conteúdos que serão disponibilizados nos dispositivos Pocket PC que a Telecel Vodafone vai apresentar ao mercado português é uma das áreas em que o operador está a trabalhar actualmente. "Os conteúdos vão ter de ser ajustados, mas com o trabalho que estamos a desenvolver queremos garantir que, quando os clientes decidirem aceder a conteúdos nossos ou dos nossos parceiros, acedam a sites já formatados", explica o responsável.



"A época natalícia seria uma boa altura para lançar o novo produto no mercado", mas Lino Silva pensa que o lançamento comercial não deverá acontecer antes do primeiro trimestre do próximo ano. Isto porque a produção de terminais com Pocket PC 2002 ainda está atrasada. Até lá o operador de telecomunicações pretende continuar a falar com os seus clientes de modo a tentar perceber que género de aplicações estes estão interessadas em receber como serviços nesta (ainda) segunda geração e meia de comunicações móveis.



O responsável adiantou ao TeK quais os equipamentos que inicialmente serão apresentados, mencionando iPAQs da Compaq, Jornadas da HP, e o SX45 da Siemens. Eventualmente, também poderá surgir um Casio com Pocket PC 2002 através da Telecel Vodafone no mercado. Todos produtos para custarem qualquer coisa entre os 150 e os 200 mil escudos "O que até não é caro se comparado com o 9210, da Nokia que custa 190 contos", argumenta Lino Silva.



Apesar dos (poucos) PDAs Pocket PC 2002 que actualmente circulam na Telecel Vodafone ainda terem placas de comunicação GPRS separadas, as mesmas vão estar integradas internamente nos dispositivos.



Além do custo do dispositivo propriamente dito, ainda não está estabelecido se existirão custos adicionais pelos serviços disponibilizados nesse terminal. Neste momento a Telecel Vodafone já disponibiliza GPRS, um serviço pelo qual se paga uma activação e depois numa espécie de modelo "pay as you go", por bytes transmitidos em vez da contabilização de tempo. Lino Silva explica que ainda não sabem se esse vai ser o modelo aplicado, adiantando que o mais provável é existirem múltiplos modelos para que os clientes escolham aquele que melhor se adapte às suas necessidades e exigências.



Embora a adopção do software Pocket Pc 2002 esteja a monopolizar alguma atenção na Telecel Vodafone, o 3G Lab da operadora portuguesa está também concentrado em testar as capacidades dos terminais UMTS que vêm a caminho. "À medida que os telemóveis vão sendo alinhavados pelos fornecedores, muitos ainda em papel, estamos a tentar perceber quais os serviços que poderemos desenvolver", afirma Lino Silva, que garante ainda que entre eles estarão com certeza o messaging, o entretenimento e os jogos. "Tudo o que seja messaging terá sucesso: as pessoas gostam de comunicar umas com as outras. Depois o streaming, os jogos, ideais para matar o tempo. E claro, nunca esquecendo a voz, que vai continuar a ser uma peça importante".



Se falarmos do mercado empresarial o responsável do 3G Lab Telecel Vodafone indica serviços de messaging e o acesso a redes privadas como os mais importantes num futuro muito próximo. "No geral, os hábitos vão mudar: o facto de se introduzirem certas aplicações como o vídeo num terminal vão transformar de certeza a forma de utilizar esse terminal ou mais precisamente de 'olhar' esse terminal", rematou.


Patrícia Calé




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