A partir de hoje pode visitar o website tem.REDE?, uma aplicação online que fornece informação sobre a cobertura das redes dos operadores móveis em todo o território nacional. A ferramenta permite aos utilizadores saber onde as operadoras têm cobertura para disponibilizar os seus serviços móveis, seja Voz, SMS ou MMS, assim como Internet móvel em todo o país.

A ferramenta permite não só verificar a cobertura do seu operador, tornando-se mais fácil saber quais os fornecedores dos serviços têm rede no local onde vive, ou se for o caso, na segunda habitação ou local de férias. “Pode ainda verificar se pode fazer uma chamada sem interrupções ou interferências, enviar SMS ou MMS ou usar a Internet para fazer chamadas de voz ou vídeo, navegar, fazer streaming vídeo e música, e jogar online.”

tem.rede

A Anacom refere que se trata da primeira aplicação deste tipo em Portugal, que será disponível tanto no website como no Portal do Consumidor da Anacom. Para utilizar, basta escolher o respetivo operador (MEO, NOS e Vodafone), inserir o local e selecionar qual o serviço que pretende verificar. As legendas ajudam a interpretar o resultado da pesquisa e em alternativa pode ampliar o mapa para verificar a rede.

João Cadete de Matos, Presidente da Anacom, salientou que o projeto requereu bastante tempo para afinar, tendo começado no final de 2017, tendo como objetivo uma maior coesão territorial. A informação é oferecida em tempo real e de forma simplificada para os utilizadores, com o apoio das operadoras. "Supera em diversas utilizações ferramentas semelhantes e disponibilizadas em outros países", destaca João Cadete de Matos, muito disso devendo-se à colaboração ativa e voluntária das operadoras.

A aplicação surge em paralelo ao netmede escolas, que foi pedido pelo Governo para apoiar os serviços escolares. A nova ferramenta passa assim a ser um instrumento para avaliar os territórios que necessitam de intervenções de forma a melhorar a cobertura de rede. A Anacom pretende também fomentar a competição leal, de forma a incentivar as operadoras a investir em locais que ainda não disponibilizam serviços. A aplicação pretende ainda ajudar a implementação do roaming nacional, sendo mais fácil detetar as redes disponíveis, e não apenas aquela que contratou. Além disso, os utilizadores ficam também a conhecer, em locais fronteiriços, a disponibilidade de rede "invés de ter de utilizar redes espanholas, quando tem serviços nacionais disponíveis", destaca o presidente da Anacom.

Miguel Capela da Anacom, salienta que nos mapas convencionais vê-se os locais, edifícios e monumentos, e com o Tem.rede pretende mapear aquilo que não é visível nos mapeamentos convencionais. Esta ferramenta é a única que permite "desenhar" os mapas a nível nacional com as redes de comunicações. Deu como exemplo o mapa semelhante da Áustria, que lista as velocidades mas não os operadoras. Em França apresenta os operadores, mas apenas uma informação binária de tem ou não sinal. Em Itália diz quantos operadores têm no local, mas não quem fornece esses serviços. Pegando nessa informação, para Portugal a Anacom pediu a participação das telecoms para uma avaliação mais pormenorizada.

Para os resultados, os serviços “Voz, SMS e MMS” estão tipificados em coberturas 2G e 3G com as notas:

  • Muito Boa;
  • Boa;
  • Aceitável;
  • Limitada; e Não disponível.

O serviço de dados móveis 3G está tipificado em coberturas:

  • Banda Larga Rápida 3G;
  • Banda Larga Básica 3G;
  • Acesso Limitado a dados 3G;
  • Não disponível.

O serviço de dados móveis 4G está tipificado em coberturas:

  • Banda Larga Rápida 4G;
  • Banda Larga Básica 4G;
  • Acesso Limitado a dados 4G;
  • Não disponível.

A Anacom refere que tem o compromisso com as operadoras de que em seis meses esta listagem será atualizada com mais informações, nomeadamente a muito rápida 3G e ultra rápida 4G.

O serviço tem.REDE é uma iniciativa incluída no programa SIMPLEX, que fornece informação sobre a cobertura das redes móveis, e conta com a participação direta das três principais operadoras, MEO, NOS e Vodafone. A informação é da responsabilidade das operadoras e tem como base os critérios definidos e acordados entre as empresas e a reguladora. Sempre que as operadoras desenvolvam a sua cobertura, a informação da ferramenta será atualizada. No mapa pode-se definir como filtros as operadoras ou os serviços, a uma escala de cobertura até 6 quilómetros.

A Anacom refere que numa primeira fase a ferramenta está otimizada para ser utilizada nos computadores, mas promete para breve uma versão para smartphones. A Anacom refere que futuramente, com o 5G, a aplicação será atualizada com a cobertura da rede, à medida que as mesmas forem sendo introduzidas no território. A reguladora justifica a participação das três principais operadoras pela utilização das suas redes, referindo que a Nowo não consta devido a usar uma rede virtual, assente na infraestrutura de outro operador.

Para Isabel Ferreira, Secretária de Estado da Valorização do Interior, o serviço tem bastante valor, importante na estratégia de coesão social e territorial. "Devemos assegurar que o país tenha o mais rápido possível total cobertura de rede", salientando a importância da cobertura para os territórios interiores, para que sejam atrativos para jovens, famílias e empresas, de forma a mitigar o processo de despovoamento destas zonas do país. O teletrabalho e teleserviços são hoje mais importantes do que nunca, devido à pandemia, e o interior necessita obter maior cobertura de rede. A Secretária refere o compromisso das redes no interior, seja nos centros de conhecimento, quer as empresas, "deve ser visto o território e não o público que possa atingir". O serviço permite identificar falhas, mas também oferecer aos cidadãos os operadores presentes com os diversos serviços na região. Por fim, Isabel Ferreira pede que o 5G não deixe para trás os territórios menos favorecidos, mas também a continuação da expansão das redes atuais, destacando igualmente a necessidade de se desenvolverem políticas de roaming.

João Torres, Secretário de Estado do Comércio, Serviços e Defesa do Consumidor, refere que é uma iniciativa que vai de encontro às políticas do governo, e por isso disponibilizou-se para contribuir para melhorar a ferramenta. Hugo Santos Mendes, Secretário de Estado Adjunto e das Comunicações salienta a cooperação entre os intervenientes para o sucesso da aplicação, e o dever que esta representa no direito de cidadania. Destaca que a ferramenta aumenta a transparência da informação, sem "truques ou alçapões", com a informação necessária para reforçar as redes onde seja necessário. A ferramenta permite ao Governo analisar e agir, ajudando a decidir onde deve apelar a cooperação entre as operadoras ou onde deverá investir o dinheiro público.

Confrontado com o lançamento do regulamento do 5G, Hugo Mendes defende que não existe conflito com o governo porque ainda não existe um documento final. O regulamento seguirá o espírito do que foi determinado no Conselho de Ministros. sobre as exigências relativas à pandemia, o Secretário de Estado salienta que o regulamento final irá ter em conta o panorama atual. João Cadete de Matos refere que o processo está no final. O projeto que esteve em consulta pública foi bastante participada, salienta o líder da Anacom e descarta qualquer conflito com o Governo. Destaca que todos os regulamentos introduzidos pela Anacom são sempre sujeitos pelo Governo, que tem direito a uma análise e palavra nas decisões.

Nota de redação: artigo atualizado com mais informações. Última atualização 11H50.

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