Portugal tem dado passos largos no desenvolvimento da ligação por meios electrónicos entre a Administração Pública e os cidadãos e empresas. Mas há ainda barreiras a ultrapassar que estão relacionadas com dispersão da informação e falta de interoperabilidade.

Joana Peixoto, Directora Comercial e de Marketing da Opensoft, responde às questões do TeK nesta área e fala dos bons exemplos na Administração Pública portuguesa.

TeK: Apesar da evolução do conceito de eGovernment subsistem alguns obstáculos ao desenvolvimento nesta área. Quais são e como podem ser ultrapassados?

[caption]Joana Peixoto[/caption]Joana Peixoto: O conceito de e-government tem conhecido uma grande evolução nos últimos anos, tendo sido percorrido um longo caminho no que respeita ao acesso a informação e a serviços públicos. Persistem contudo alguns aspectos que poderão melhorar significativamente o acesso a informação e serviços online: a informação e os serviços estão dispersos, o que aumenta o esforço de recolha de informação ou de complementaridade dos serviços;
nem sempre os formatos são compatíveis - duas entidades podem ter informação complementar sobre um determinado assunto, que não se consegue combinar por não serem disponibilizadas num formato ou linguagem comuns.
Há ainda uma questão de mudança de paradigma, de as entidades públicas aceitarem abrir as suas plataformas, para que se tire partido do potencial de colaboração online, que existe noutras áreas, e que ainda não é uma realidade no que respeita aos serviços públicos.

TeK: A visão do Open Government está já próxima da realidade portuguesa?
J.P.:
Portugal tem-se conseguido posicionar na linha da frente a nível de disponibilização de serviços online, e temos alguns projectos que são utilizados como referência a nível internacional. No entanto, quando falamos de 'Open Govenment', as referências principais ainda vêm dos EUA ou de Inglaterra, onde se está já a tirar partido deste potencial de colaboração, embora ainda com muito por explorar. Os exemplos portugueses ainda são escassos, mas começam a surgir. Penso que ainda estamos numa fase de estabelecer as bases para que este tipo de serviço possa ser uma realidade, mas que as instituições estão atentas, o que é um bom indício.

TeK: Quais são na sua opinião os melhores exemplos portugueses da visão aberta que a Opensoft preconiza?
J.P. :
Todas as iniciativas no sentido de criar plataformas comuns ou de partilha de recursos caminham no sentido do 'Open Government', embora ainda não estejamos num nível em que a sua utilização seja generalizada. Existem vários exemplos de projectos deste tipo, mas posso referir, por nos ser mais próximo, o trabalho da DGITA/DGCI, quer através da partilha do sistema de gestão de utilizadores (a senha de acesso ao Portal das Finanças é utilizada por diversas entidades públicas), quer na disponibilização de formatos abertos para entrega de declarações de impostos, que as diferentes empresas de software contabilístico podem incorporar na sua oferta, para que as declarações sejam submetidas de uma forma automatizada. São passos que se estão a dar no sentido de uma maior abertura das instituições, para aumentar o valor dos serviços prestados aos cidadãos ou empresas, e acredito que num futuro próximo possamos ter mais exemplos deste tipo.

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