http://imgs.sapo.pt/gfx/116041.gif Durante os dias 20 e 21 de Março realizou-se em Lisboa o Managing Beyond 2002, a terceira edição do evento organizado pela empresa de consultoria tecnológica Accenture e pela International Faculty for Executives (IFE), filial da multinacional francesa na área da formação profissional EFE (Edition Formation Entreprise).



Neste evento, foram analisadas algumas das mais recentes novidades no campo das tecnologias de informação aplicadas à gestão de empresas, como Business-to-Business (B2B) e Customer Relationship Management (CRM), algumas das palavras chave que fazem parte do vocabulário da economia digital.



Um dos temas abordados foi o de Strategic Enterprise Management (SEM), relativo ao conceito de gestão estratégica. Este painel contou como orador Jos Van der Velden, gestor da unidades de soluções de negócio da filial portuguesa da SAS, companhia norte-americana fornecedora de serviços e produtora de software de business intelligence, relativo à tomada de decisões de negócio, tendo como clientes 98 por cento das 100 empresas colocadas no topo da lista Fortune 500, das maiores empresas do mundo.



Na sua apresentação, Van der Velden explicou e demonstrou algumas das soluções de software da SAS nesse sector. Mas em vez do termo SEM, esta companhia prefere empregar a designação de Strategic Performance Management. Jos Van der Velden explicou ao TeK a razão desta profusão de termos para designar uma mesma ideia. Este responsável referiu ainda como é que as empresas nacionais têm vindo a reagir ao surgimento desta gama de software que pretende ajudar na tomada de decisões estratégicas de negócio.



TeK: Qual é a distinção entre o conceito de Enterprise Resource Planning (ERP) e o de Strategic Enterprise Management?

Jos Van der Velden: Há uma grande confusão nas palavras e conceitos que são utilizados. Dependendo do ambiente em que estamos, usamos termos que, em si, significam a mesma coisa. Não há assim grande diferença. A terminologia é muitas vezes um modismo. Não é algo que signifique uma coisa fundamentalmente diferente.
Temos um grande conceito que é o de gestão estratégica onde focamos a parte estratégica da empresa. Podemos chamar a isso Enterprise Performance Management (EPM) ou Strategic Performance Management (SPM). Mas o termo mais moderno é Value Based Management (VBM), sendo também utilizado neste sentido.



TeK: Em que é que consiste precisamente o Strategic Enterprise Management?

J.V.V.: O que está por detrás deste termo é a intenção da empresa de, mediante uma estratégia, conseguir um determinado efeito nas operações do dia a dia da companhia. No passado, vimos muitas vezes que havia uma estratégia mas não havia implicações no lado operacional. Toda a gente fazia o que pensava que era bom mas não havia um alinhamento estratégico no seio da organização.


O SEM visa assim obter um alinhamento de todas as funções da empresa, de modo a fazer com que a estratégia seja seguida e que conte com a participação de todos os colaboradores da companhia.



TeK: Porque é que se começou a falar mais nos últimos anos desses conceitos? Será pelo desenvolvimento da tecnologia e das redes de comunicações?

J.V.V.: Em parte, é uma evolução natural da empresa. Desde os últimos 20 a 30 anos que temos vindo a assistir a essa tentativa de se centrar mais na estratégia de modo a obter sucesso operacional, devido ao aumento da dimensão das organizações e à globalização.



TeK: Em que é que a tecnologia e, mais especificamente, o software pode ajudar na gestão estratégica de uma empresa?

J.V.V.: Porque a tecnologia facilita a implementação de uma gestão estratégica. Mas não é só por empregarmos tecnologia que vamos ter uma boa gestão estratégica. Tem de ser, sim, uma alavanca para conseguir a colaboração de todos e alinhar todo o centro da empresa em torno da estratégia.



TeK: Quais são as áreas de actividade para as quais existe software de gestão estratégica?

J.V.V.: Existem soluções em todas as vertentes de negócio que são importantes. No segmento de fornecedores, a SAS disponibiliza uma solução de Supplier Relationship Management (SRM) destinada às empresas que querem tirar proveito das relações com os seus fornecedores. Na área de clientes, temos soluções relacionadas com data mining, customer intelligence, Customer Relationship Management (CRM) e marketing automation, que é actualmente uma vertente muito importante na área de clientes.

Na área organizacional, temos soluções de gestão financeira, gestão de recursos humanos e gestão de risco e também de inteligência dos processos de produção.
Quanto à categoria de ligações com bases de dados, disponibilizamos soluções que podem dar acesso a todo o software de bases de dados mais conhecido.



TeK: Qual tem sido o ritmo de adopção das empresas portuguesas ao software de gestão estratégica?
J.V.V.: Temos várias empresas que já mostraram interesse e estamos a trabalhar com algumas companhias de seguros, o Instituto Nacional de Estatística e outras organizações que querem realmente implementar um sistema de gestão estratégica.



TeK: E a nível das pequenas e médias empresas, qual tem sido a reacção?

J.V.V.: A SAS, como empresa, não tem como público-alvo esse tipo de companhias de dimensão mais reduzida. Contudo, com o apoio dos nossos parceiros, pretendemos abordar o segmento de mercado das PMEs. Desta forma, estabelecemos parcerias para a implementação de projectos de Strategic Performance Management com firmas como a Accenture e PriceWaterhouseCoopers que são consultoras de gestão. Temos também implementadores, companhias responsáveis pela implementação das nossas soluções, como é o caso da Novabase em Portugal.



TeK: Uma ferramenta que é muito utilizada no campo do Strategic Enterprise Management é a de balance scorecard. Poderia explicar melhor em que consiste?

J.V.V.: O software de SEM é muito flexível e aberto e a sua infra-estrutura consiste num template definido por nós dentro da ferramenta. Podemos assim implementar um balance scorecard, que é um dos instrumentos de gestão estratégica mais utilizados hoje em dia. Mas com este tipo de software também se pode implementar outros mecanismos como o Business Excelence Model da European Foundation for Quality Management.

Mas quando queremos implementar um balance scorecard, pretendemos centrarmo-nos na estratégia, normalmente tendo em conta quatro perspectivas que são a perspectiva financeira, dos clientes, dos processos internos e a da aprendizagem e crescimento, relativa à área dos recursos humanos.



TeK: Para além das empresas privadas e da administração pública, será que as organizações não governamentais têm aderido ao software de SEM?

J.V.V.: Aqui em Portugal não temos tido contactos nesse sentido. Fora de Portugal temos tido, de facto, bastantes contactos.



TeK: Como é que acha que vai ser o futuro do software de gestão estratégica?

J.V.V.: Acredito que a longo prazo irá vingar a ideia de que a tecnologia e o software não podem limitar as possibilidades de gestão estratégica. A ferramenta que nós disponibilizamos é muito flexível e fácil de adaptar às realidades do presente que se vão alterando de dia a dia. E acontecimentos como os que sucederam em Setembro do ano passado têm uma repercussão quase imediata na estratégia das empresas. Por essa razão, o nosso software tem que ser suficientemente flexível para poder fazer fácil e rapidamente a mudança, de modo a reflectir esta alteração na estratégia da empresa.



TeK: Em termos tecnológicos, em que linguagens e ferramentas é que o software da SAS se baseia?

J.V.V.: Com a última versão do nosso software passámos a utilizar a tecnologia XML que é relativamente recente e é muito fácil de configurar, permitindo mudar rapidamente as estruturas de um lado para o outro. Portanto, não existe qualquer dificuldade em trabalhar com essas ferramentas.



TeK: Em que plataformas é que está disponível o software de gestão estratégica da SAS?

J.V.V.: As nossas aplicações são compatíveis com várias plataformas. Nós temos a possibilidade de corrê-las tanto em mainframes, sistemas Unix, Windows bem como noutros sistemas operativos menos conhecidos como OpenVMS e Alpha. Não temos nenhuma limitação em relação à plataforma para correr as nossas aplicações e soluções.



TeK: A SAS já pensou em adaptar as suas aplicações a plataformas de dispositivos móveis como PDAs e telemóveis?

J.V.V.: Dado que a nossa solução se baseia na tecnologia XML, é muito fácil adoptar o método do balance scoreboard para um PDA, telemóvel ou qualquer outro dispositivo móvel que exista. É possível aceder ao nosso software através de um dispositivo sem fios.



TeK: Existe a possibilidade de aceder à distância por via Internet ou intranet empresarial aos dados produzidos pelas aplicações de gestão estratégica armazenadas nos servidores da companhia?

J.V.V.: Sim, é completamente possível com o software SAS aceder a partir de qualquer parte do mundo ao servidor onde está guardado o resultado final do balance scoreboard.



TeK: Poderia indicar o preço médio do software de SEM que a SAS desenvolve e comercializa?

J.V.V.: Depende muito da configuração em termos de arquitectura tecnológica e do número, da dimensão do sistema de informação e do número de utilizadores.



TeK: Estas aplicações são muito exigentes no que se refere aos requisitos de hardware?

J.V.V.: Em si, o software não é muito exigente. O que é importante para a implementação é perceber o volume de dados que a empresa tem que passar para divulgar a informação. Se o volume de dados for muito grande, é natural que o hardware se tenha que comportar em conformidade com esta quantidade de dados e a capacidade de calculá-los e processá-los.



TeK: Para além do software de SEM, que outro tipo de aplicações é que a SAS produz?

J.V.V.: Nós fornecemos soluções para toda a área de relação com os clientes, ou seja, toda a parte de data mining e segmentação, soluções na área da organização para recursos humanos e gestão financeira bem como aplicações de análise de relações com os fornecedores. Estas três secções estão assentes numa área tecnológica. Temos vários segmentos tecnológicos, desde a parte de extracção, transformação e limpeza de dados até à parte de conjunção de data warehouses, para além de toda a tecnologia WAP e de dispositivos móveis.

Basicamente, dispomos de uma plataforma comum e depois soluções específicas que abrangem desde as relações com os fornecedores até à relação com os clientes, culminando na área de Strategic Performance Management.



Miguel Caetano

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